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Tem que haver melhor ideia

Paulo RegoPaulo Rego*

É difícil projetar a China fechada sobre si mesma. É impossível, à luz da sua História, pensar em Macau exclusivamente virada para a Grande Baía.

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A elite política em Pequim não pensa no curto prazo. Por isso o ocidente, que pensa de quatro em quatro anos, tem tanta dificuldade em percebê-la. O problema, esperemos, é de circunstância. Tem a ver com a pandemia e a abordagem feita em toda a China. Nesse contexto, compreende-se que não haja uma exceção sanitária para Macau. Não é preciso concordar com a ilusão dos casos zero para entender que, existindo, inclui todo o território chinês – mais ou menos autónomo.

Há outro lado da equação que, por muito que se queira aceitar, choca com a própria memória de Deng Xiaoping. Aí sim, a China mudou mais do que era expectável, encontrando na pandemia o acelerador que isola Macau e Hong Kong do resto do mundo, por motivos de política interna.

A inversão deste ciclo interessa a todos. Com ou sem risco de vírus, não se concebe a diversificação económica de Macau exclusivamente virada para dentro. Também não se percebe o interesse da China em arriscar a posição dominante que hoje tem na globalização. Por fim, esse corte não interessa, de todo, ao resto do mundo. Washington pode achar que sim… mas engana-se.

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Empurrar a China para um bloco, onde tendencialmente se encostarão à Rússia e à Índia, disputando influência global, país a país, região a região, é a pior ideia de todas, para toda a gente.

A China é perita no longo prazo. E o plano de Macau e Hong Kong, como exemplo para Taiwan, com portas abertas ao ocidente, foi gizado há décadas pelos heróis da abertura em Pequim – e não por interesses estrangeiros. Não é preciso ser génio para perceber o interesse no isolamento, a curto prazo.

Mas isso não é pretexto para matar hoje a vida que tanta falta fará amanhã.

*Diretor-Geral do PLATAFORMA

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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