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EUA e Taiwan anunciam negociações comerciais diante da crescente “coerção” da China

Catherine Lai e Jack Moore

Estados Unidos e Taiwan anunciaram nesta quinta-feira (18) que iniciarão negociações comerciais no outono (hemisfério norte, primavera no Brasil), em um momento de crescente “coerção” militar, diplomática e econômica da China sobre Taiwan, nas palavras do principal diplomata de Washington para a o leste da Ásia.

As Forças Armadas chinesas executaram as maiores manobras militares aéreas e marítimas durante vários dias no Estreito de Taiwan, como resposta à recente visita a Taipé da presidente da Câmara de Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, que enfureceu o governo de Pequim.

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Taiwan vive sob a ameaça constante de uma invasão chinesa, que considera a ilha parte de seu território e que poderia, inclusive, ser ocupado pela força em caso de de necessidade. E neste contexto Estados Unidos e Taiwan iniciarão negociações comerciais, em uma demonstração de apoio à ilha de governo democrático diante das manobras chinesas, apesar de Washington não ter relações formais com Taipé.

Nancy Pelosi em Taiwan

As negociações incluirão diversas áreas, como agricultura, comércio digital e redução ou anulação de tarifas de importação, informou em um comunicado o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos.

Além do desenvolvimento do comércio e investimentos, as negociações abordarão a questão das respostas às “políticas e métodos contrários ao mercado”, anunciou o escritório da representante comercial dos Estados Unidos, Katherine Tai, o que pode ser interpretado como uma referência à China.

O início formal das negociações é uma demonstração da vontade dos Estados Unidos de estabelecer uma aproximação com Taiwan, um sócio comercial importante.

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“Damos as boas-vindas a esta oportunidade de aprofundar a colaboração econômica entre os dois países amantes de liberdade”, afirmou no Twitter o ministério das Relações Exteriores de Taiwan.

Taiwan, crucial para semicondutores

Taiwan é um produtor e fornecedor global dos mais avançados semicondutores, usados em vários âmbitos, dos smartphones aos computadores, passando por automóveis ou mísseis. Mas o sócio comercial mais importante de Taiwan continua sendo, de longe, a China, que expressou “oposição veemente” às conversações comerciais entre a ilha e Washington.

“A China sempre foi contrária a qualquer negociação entre qualquer país e a região chinesa de Taiwan” disse a porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Shu Jueting.

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Um total de 42% das exportações taiwanesas vão para a China e Hong Kong, enquanto apenas 15% seguem para os Estados Unidos, de acordo com os dados de 2021. Washington reconhece diplomaticamente a China, mas mantém relações de fato com Taiwan e defende o direito da ilha de decidir seu futuro.

“Coerção e intimidação”

O governo dos Estados Unidos acusa a China de usar a visita de Pelosi como desculpa para intimidar e exercer coerção sobre Taiwan com suas manobras militares.

“Nossa política não mudou, o que mudou foi a crescente coerção de Pequim”, disse Daniel Kritenbrink, enviado de Washington para o leste da Ásia. “Estas ações são parte de uma campanha de pressão intensificada (…) para intimidar e pressionar Taiwan e minar sua resistência”, acrescentou Kritenbrink.

O diplomata disse acreditar que a pressão sobre o governo taiwanês prosseguirá nas próximas “semanas e meses”. “As palavras e ações (da China) são profundamente desestabilizadoras. Correm o risco de provocar um erro de cálculo e ameaçam a estabilidade no Estreito de Taiwan”, afirmou Kritenbrink.

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Ele disse ainda que Washington responderá com “passos tranquilos mas decididos” para manter o Estreito de Taiwan aberto e pacífico. Na quarta-feira em Singapura, o vice-almirante da Sétima Frota dos Estados Unidos, Karl Thomas, disse que as manobras chinesas ao redor de Taiwan deveriam receber uma resposta.

Taiwan apresentou na quarta-feira seu avião de combate mais moderno em uma rara exibição noturna.

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