Leonardo Padura é um jornalista e escritor cubano que ainda vive em Cuba. Foi distinguido, em 2012, com o Prémio Nacional da Crítica, com a Ordem das Artes e das Letras de França no ano seguinte e com o Prémio Princesa das Astúrias, em 2015, em Espanha. A obra de Padura é obra é bastante conhecida, principalmente devido aos livros “O Homem Que Amava os Cães”, “Água por Toda Parte”, “Como Poeira ao Vento” e “Febre de Cavalo”. Muitos dos seus romances retratam a vida cubana contemporânea sob a perspectiva de uma geração, apresentando personagens fascinantes como Mario Conde.
Leonardo Padura, o que é que mais o fascina hoje em dia?
Bem, há muitas coisas que me fascinam. Estar vivo é a coisa mais fascinante. E tentar permanecer vivo é um esforço que nasce desse fascínio, um esforço que se tenta realizar. Olho ao redor e vejo um mundo muito complexo, no qual muitos paradigmas em que antes acreditava e que me fascinavam se deterioraram. Alguns até se perderam. Mas, felizmente, outros foram preservados. E acredito que, por exemplo, a possibilidade do amor, a possibilidade da amizade, da solidariedade, da fraternidade, está num nível mais elevado. Até mesmo que as pessoas ainda sintam essas necessidades e continuem a praticar essas possibilidades. Acho que essas são coisas fascinantes. Sou fascinado por viajar, ver outros lugares, estar em lugares onde sempre descubro coisas novas. Sou fascinado por ler escritores que não conheço e pensar: “Como eu perdi a oportunidade de ler este livro, ou ver este filme, ou ir a este museu e ver estas obras de arte”. Acho o mundo fascinante e, infelizmente, há muitas coisas que minam esse fascínio”.