A nova erupção do Monte Etna, que esta sexta-feira voltou a condicionar o tráfego aéreo na Sicília, é mais um episódio da intensa atividade do vulcão mais ativo da Europa. Mas porque entra o Etna em erupção tantas vezes? A resposta está na geologia da região e na forma como as placas tectónicas se movimentam sob o sul de Itália.
Um vulcão alimentado pelo movimento das placas tectónicas
O Monte Etna, situado na costa leste da Sicília, atinge cerca de 3.350 metros de altitude e encontra-se numa zona onde a placa africana converge com a placa euroasiática.
Este movimento provoca a ascensão contínua de magma das profundezas da Terra para a superfície. Como resultado, o vulcão mantém uma atividade praticamente permanente, alternando entre pequenas emissões de lava, explosões de cinzas e, ocasionalmente, erupções de maior intensidade.
Porque entra tantas vezes em erupção?
Ao contrário de muitos vulcões, que podem permanecer adormecidos durante décadas ou séculos, o Etna possui um sistema magmático constantemente abastecido.
A pressão gerada pela acumulação de gases e magma é libertada regularmente através das várias crateras do vulcão, reduzindo a probabilidade de grandes explosões, mas aumentando a frequência de erupções. Por essa razão, os especialistas consideram o Etna um dos vulcões mais ativos e mais monitorizados do mundo.
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Um laboratório natural para a ciência
A atividade quase contínua do Etna permite aos cientistas estudar em tempo real a evolução dos fenómenos vulcânicos. O Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia de Itália acompanha permanentemente a montanha através de sismógrafos, sensores de deformação do solo, câmaras térmicas, drones e imagens de satélite, permitindo detetar sinais de uma nova erupção com horas ou dias de antecedência.
O risco para as populações e para a aviação
Apesar da frequência das erupções, a maioria tem impacto limitado nas populações, uma vez que os fluxos de lava avançam lentamente e podem ser monitorizados.
O maior perigo surge quando o vulcão liberta grandes quantidades de cinzas. Estas podem atingir vários quilómetros de altitude e ser transportadas pelo vento, afetando a qualidade do ar e obrigando ao encerramento parcial do espaço aéreo, como aconteceu novamente esta sexta-feira no aeroporto de Catânia.
A proximidade de zonas habitadas faz com que o Etna seja permanentemente vigiado pelas autoridades italianas, que dispõem de planos de emergência para responder rapidamente a alterações na atividade vulcânica.