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Tem razão Steve Wynn quando se queixa da falta de planeamento; da ausência de esclarecimento; do adiamento de negociações que mais sentido faria o governo antecipar, promovendo uma visão de médio e longo prazo na indústria do jogo. Independentemente da renovação de todas, ou parte, das (sub)concessões, a reflexão partilhada com as operadoras beneficiaria não só decisões de gestão como os próprios modelos de governação, tendo em vista uma diversificação económica que deve ser feita com os casinos – e não contra eles.

Perde razão Steve Wynn quando dramatiza a angústia dos acionistas; quando abandona a estratégia de não-confrontação com o Executivo, que sempre o beneficiou; quando faz de conta que desconhece o teto para o número de mesas de jogo, imposto ainda antes dos novos empreendimentos no Cotai; ou quando se esquece que, no acerto trimestral de contas, declara que parte das mesas que a que tem direito nem sequer estão sempre estão ativas.

Tem razão Lionel Leong ao impor a autoridade, transmitindo uma imagem de controlo político e de segurança institucional. A pior coisa que nesta altura pode acontecer é espalhar-se a ideia de que ninguém sabe o que anda fazer nem o que vai acontecer, face à “nova normalidade” das receitas. O secretário para a Economia fez bem ao chamar os responsáveis da Wynn Macau, transmitindo a todos os operadores a mensagem de que não cederá a pressões; sejam elas públicas ou privadas; resultem elas de entendimentos passados, angústias presentes, ou expectativas futuras.

Perde razão o governo porque as preocupações são muitas e reais, ameaçam a estabilidade económica da região e não são exclusivas da operadora de Steve Wynn. Com a queda das receitas, em Macau, em Las Vegas, e noutras jurisdições, aumenta a pressão dos acionistas e da banca de investimentos no sentido da clarificação de estratégias e de projeções credíveis no médio e longo prazo. A ponderação entre interesses públicos e privados pode ser feita em conjunto, com calma, inteligência e transparência. Mas também com a consciência de que, pelo menos em Macau, o interesse público inclui o bom funcionamento da indústria que sustenta a região.

Paulo Rego

23 de outubro 2015

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