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Portugal vira as costas à GBA ao fechar o escritório da AICEP em Guangzhou

João Pedro Pereira*Plataforma

Guangzhou é o epicentro da Área da Grande Baía (GBA). Esta região parte de uma estratégia económica e política de inclusão para o desenvolvimento do sul da China, conferindo-lhe um carácter internacional. Trata-se de um mercado de 90 milhões de pessoas, que inclui também Macau e Hong Kong.

A PORCHAM é a primeira Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa com sede na China, em Guangzhou. A nossa estratégia baseia-se no mercado de oportunidades da GBA, estabelecendo fortes laços com empresas e instituições, e trabalhando em conjunto para melhorar as relações bilaterais entre Portugal e a China.

Desde 2017 que o trabalho de Dário Silva, presidente do nosso Conselho de Administração, é uma referência para a China e para parceiros internacionais. O Centro de Cooperação Internacional Sino-Portuguesa para o Investimento e Comércio (CCIICSP) é um dos melhores exemplos disso, com sede em Guangzhou, criado em parceria com o Comité de Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China.

Recentemente, Dário Silva foi convidado, em nome da PORCHAM, para assumir o cargo de Diretor de Relações Internacionais da Associação de Investimento da China, que reúne todas as grandes empresas interessadas em investir no estrangeiro! Portugal e os Países de Língua Portuguesa são um grupo de interesse para os investidores chineses.

A PORCHAM está também a desempenhar um papel importante na China CEO’s Association com os mais importantes empresários e homens de negócios da China. Novos investimentos estão na calha para Portugal, China e Países de Língua Portuguesa, num novo e inovador modelo de cooperação.

A PORCHAM tem associados que representam anualmente mais de 4 mil milhões de euros em volume de negócios, com centenas de milhões de euros em projetos de investimento.

A estratégia da PORCHAM é hoje uma referência para os países ibero-americanos e, enquanto CEO da PORCHAM, fui convidado e incluído num grupo empresarial de empresas ibero-americanas para partilhar conhecimentos e experiências de desenvolvimento de negócios em Guangzhou e na província de Guangdong.

Porque é que Portugal há-de desistir de Guangzhou e da província de Guangdong, fechando o escritório da AICEP quando toda a gente no mundo está interessada na região? A GBA tem o maior PIB da China, 2 milionários por cada 1.000 habitantes (a média da China é de 1 por cada 1.000), algumas das 500 maiores empresas do mundo estão na província de Guangdong, com a GBA a desenvolver e a atrair milhares de milhões em investimentos em áreas fulcrais da Robótica, Veículos Elétricos, Biotecnologia, Inteligência Artificial, etc.

Se Portugal encerrar o escritório da AICEP em Guangzhou, perderá quase 5 anos de um trabalho de excelência efetuado por Mário Ferreira, o mais experiente e competente recurso humano da AICEP na China.

A presença da AICEP na China precisa de ser melhor organizada; não podem continuar a perder os melhores recursos humanos como a Mariana Wilson, que fez um trabalho francamente excelente de recrutamento de investimento para Portugal, e agora o Mário Ferreira.

A China exige os melhores recursos humanos possíveis, como Mariana Wilson e Mário Ferreira.

A presença de Portugal precisa também de um Conselho Estratégico junto da chefia da missão diplomática, incluindo os mais importantes intervenientes do setor privado, empresas, câmaras de comércio, Banco Nacional Ultramarino, Centro Internacional de Negócios da Madeira, o representante de Portugal no Fórum Macau. Com as tecnologias de informação disponíveis é possível ter este Conselho a trabalhar em prol dos interesses portugueses na China.

Até ao momento, não existe qualquer esforço por parte da missão diplomática para incluir estes atores e, se este tipo de espírito se mantiver, devem ser feitas algumas alterações na missão diplomática e na AICEP para melhorar a nossa presença na China.

Portugal precisa de pessoas com visão e estratégia a trabalhar no terreno para o superior interesse do país e não de pessoas preocupadas apenas com o seu próprio umbigo.

*Presidente da PORCHAM, Câmara de Comércio e Indústria Sino-Portuguesa 

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