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O que diz Christine Loh

Nos tempos que correm de extremar de posições, polarização e  até ódio e ressentimento acumulado, falar de diálogo e reconciliação pode parecer ingenuidade, mas na verdade demonstra um sentido de responsabilidade social que, infelizmente, falta a muitos dos intelectuais da esfera pública nos dias que correm. 

Na entrevista que publicamos nesta edição do PLATAFORMA, Christine Loh diz várias coisas importantes que merecem a nossa atenção a valorização. Coloca a tónica na necessidade de encontrar um mecanismo eficiente de diálogo com vista à saída da crise profunda em que Hong Kong se encontra mergulhada. Podem não existir soluções mágicas nem vias de resolução no curto-prazo. Todavia, o caminho faz-se caminhando, pelo meio. Sobressai a ideia de reforço do “centro”, ou seja das forças vivas da sociedade que anseiam pelo regresso da racionalidade e bom senso, e que defendem  os valores chave da região, encarnado aquilo que Christine Loh designa de uma alma liberal que não é anti-China. É crucial trabalhar para colocar um travão à vertigem dos dos tambores da violência, guerra, ódio e intolerância que rufam ao virar da esquina. A encruzilhada em que nos encontramos não se pode transformar num “Conflito de Civilizações” de que Samuel Huntington falava nem resultará no “Fim da História”, a que aludia e profetizava Francis Fukuyama. Essa é uma ilusão que comporta perigos. Na verdade não há apenas uma via de modernidade e modernização. A narrativa de que Hong Kong é a nova Berlim padece de uma clara distorção e descabimento, ao passo que a obsessão por uma chamada “nova Guerra Fria” reflete uma mentalidade doentia de profecias que se autorrealizam rumo ao precipício.

O caminho do meio, da verdade e reconciliação, é um caminho das pedras que, nesta altura, pode surgir apenas como uma miragem. No entanto, é em plena crise que se começa a construir e reconstruir esse rumo, mobilizando quem na sociedade tem uma determinação inabalável em salvar essa fórmula pragmática e prodigiosamente formulada por Deng Xiaoping de modo a que o princípio Um País Dois Sistemas se mantenha com relevância e substância não apenas até, mas também para além de 2047 (e 2049, no caso de Macau).

Ao pessimismo da razão, há que opor o optimismo da vontade.  

José Carlos Matias 20.09.2019

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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