Início » “Reparações coloniais? São as pessoas erradas a indemnizarem as pessoas erradas”

“Reparações coloniais? São as pessoas erradas a indemnizarem as pessoas erradas”

A Culturgest, Lisboa, acolhe sexta-feira a última sessão do ciclo de conferências da Cátedra UNESCO - Futuros da Educação. O convidado é o antropólogo indiano Arjun Appadurai, Max Weber Global Professor no Bard Graduate Center, em Berlim. O DN entrevistou via Zoom o autor de 'Dimensões Culturais da Globalização'.

A Índia é agora o mais populoso país do mundo e tem uma população muito jovem, comparada à da China. A Índia tem capacidade para investir numa educação com qualidade para os seus muitos milhões de jovens e, assim, transformar a demografia numa clara vantagem e tornar-se num país mais desenvolvido?

A sua observação é, sem dúvida, correta. A Índia e a China têm hoje uma população semelhante, cada uma perfaz à vontade 16 ou 17% da população mundial. A juventude na Índia é uma parte muito significativa dessa percentagem e continua a aumentar. A educação é um esforço muito grande, especialmente para essa população jovem, mas é também, potencialmente, um grande impulso para a ascensão da Índia como uma sociedade em desenvolvimento. No entanto, existe um grande desafio, que é o facto evidente de a Índia se estar a afastar cada vez mais de ser uma democracia liberal. Isto nem sempre é visto claramente na Europa, nos Estados Unidos ou no Ocidente em geral, que está muito alerta para o afastamento da democracia na própria Europa, por exemplo na Hungria, mas também em muitos outros países, ou na China, claro, ou na Turquia, ou no Brasil. No entanto, no que se refere à Índia, há uma estranha relutância em reconhecer que a democracia está sob uma grande ameaça no país. Neste momento, creio que estamos na terceira fase das eleições mais importantes na Índia. Portanto, há um grande potencial para a educação, mas a questão do futuro da democracia na Índia é igualmente importante e devemos ter isso bem presente.

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