Para além de uma guerra comercial, guerra de tarifas, guerra tecnológica e guerra financeira, os EUA estão também a preparar-se para uma guerra quente. Em relação à questão de Hong Kong, já sabemos que os protestos foram criados por forças exteriores à China, principalmente americanas e de Taiwan, financiando os manifestantes e tentando impedir o desenvolvimento chinês, a internacionalização da moeda chinesa e a construção da Área da Grande Baía através de Hong Kong. Esta cidade pode ser pequena, mas é de extrema relevância.
Embora o Governo central tenha dado ordens para o “fim da violência e restauração da ordem”, as tensões ainda não acalmaram, e se a China for obrigada a recorrer a medidas drásticas, tal poderá afetar a forma como a cidade de Hong Kong será governada no futuro.
Os EUA têm ainda procurado desenvolver relações com Taiwan, com trocas de visitas de oficiais entre as duas regiões, e navios americanos e marinha americana em Taiwan, complicando ainda mais o problema.
Recentemente os EUA exportaram até para Taiwan equipamentos como tanques de combate e mísseis no valor de cerca de 2.200 milhões de dólares, revelando claramente o apoio à independência da região. No entanto as demonstrações militares do Exército de Libertação do Povo à volta de Taiwan têm-se tornado cada vez mais frequentes, sugerindo que a libertação de Taiwan poderá acontecer em breve.
No nordeste asiático, onde a China tem procurado desenvolver laços com países como o Japão e a Coreia da Sul, houve de repente um deterioramento das relações entre a Coreia do Sul e o Japão, na mesma altura em que se falava na criação de uma zona de comércio livre entre os três países. A decisão japonesa de impor tarifas sobre produtos coreanos e retirar o país da sua “lista branca” foi bastante severa, e, juntamente com a decisão da Coreia do Norte de reiniciar os testes de mísseis, leva a concluir que a península coreana voltou a uma situação de instabilidade.
No que diz respeito às relações entre a Índia e o Paquistão, recentemente os dois países têm estado em conflito, com a Índia até a anunciar a abolição do artigo 370 da Constituição, removendo o anterior estatuto especial oferecido pelo país a Caxemira, tornando a região de Jammu e Caxemira num distrito com uma Assembleia Legislativa e Ladaque sem uma.
Como resultado de tal decisão, o Paquistão decidiu cortar laços diplomáticos e comerciais com a Índia. No entanto é importante relembrar que esta região de Ladaque é território chinês, por isso a representante do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Hua Chunying, afirmou que a China sempre se opôs, e continuará a opor-se, à inclusão indiana de território chinês na zona ocidental da Índia e sob administração do país. Esta é uma questão especialmente importante para a China, também por de a rota da iniciativa Uma Faixa, Uma Rota passar pelo Paquistão. E parece que o objetivo é mesmo destruir esta iniciativa através de Caxemira, cortando as novas rotas comerciais chinesas e tornando o porto de Gwadar num lugar morto.
Existem ainda problemas noutras regiões como no Irão, no mar do Sul da China e na Venezuela, e os EUA estão a usar todos os métodos que encontram para restringir, destabilizar e afetar a China. Estão a criar um círculo à volta da China, e a atacar o país a nível comercial, tecnológico, financeiro, geopolítico e diplomático, assim como a manipular a opinião pública sobre a China. Os EUA perderam todos os constrangimentos e estão a atacar de forma completamente aberta e óbvia. Perderam todo o conceito de ética e de regras. Estamos a entrar numa fase perigosa da relação sino-americana.
David Chan 20.09.2019