Num artigo publicado nesta coluna em abril, foi sugerida a possibilidade de introduzir o património cultural de Macau e o seu centro histórico nas escolas, como disciplina exclusiva ou talvez obrigatória. Muitas das escolas já executam (felizmente) este trabalho, convidando a sociedade civil ou associações culturais para introduzirem esta temática aos mais jovens.
Estas iniciativas ajudam a enriquecer o conhecimento histórico dos diversos monumentos, com raízes históricas da China e de Portugal, muito bem preservados pelo Instituto Cultural (IC), com características multiculturais, e que promovem a identidade cultural de Macau junto dos residentes e aos turistas que visitam diariamente o Centro Histórico de Macau.
Tendo também em conta que o património cultural e histórico é salvaguardado pela própria Lei Básica da RAEM, é legítimo não só ser protegido, mas combinar a cultura e a educação para fortalecer o sentimento de pertença aos próprios filhos da terra (Macau).
Este fortalecimento e introdução do património de Macau às escolas, servirá de formação garantida às próximas gerações (desde o círculo familiar aos professores e alunos, um trabalho conjunto do IC, Serviços de Educação (DSEDJ), com extensão às universidades e das associações culturais existentes).
Será lamentável as próximas gerações não conseguirem transmitir o seu orgulho por Macau (e a narrativa deste legado cultural com mais de 400 anos de história) aos turistas vindos da Grande Baía ou de turistas internacionais.
Para além da educação cultural, os negócios podem beneficiar de futuros talentos, que dedicam ao estudo do património cultural, para reformular o seu negócio com produtos “Made in Macau”, distintos do que existe na Grande Baía. Macau reúne todas as condições para apostar no que é seu, com características de dois mundos únicos, a chinesa e a portuguesa.
A utilidade deste conhecimento pode valer para a tão desejada diversificação económica, potenciar urgentemente a aposta de formação de formadores, agentes ou embaixadores da educação e do turismo cultural de Macau, incluindo uma indústria na promoção e na produção de produtos originários do próprio património cultural (tangível e intangível).
E para atingirmos uma imagem cultural sólida, criativa e sustentável, com talentos locais, é essencial compreenderem o seu próprio património e a sua própria identidade cultural.
Quem não compreender estes valores, não compreende de todo Macau e o seu futuro.