O meu artigo anterior questionou: por que Macau domina a “vitalidade de eventos”, mas não investe a sério na “vitalidade institucional”? A resposta pode estar no rápido crescimento do Jogo.
Não é uma crítica. A prosperidade trazida pelo Jogo é real: reservas abundantes, baixo desemprego e PIB per capita de topo. São frutos do esforço pós-transição e prova do sucesso de “Um País, Dois Sistemas”.
Mas a prosperidade tem um custo oculto. Quando a riqueza vem de um só setor, este suga a atenção política, os talentos e a imaginação social. Não por miopia dos líderes, mas porque o “urgente” supera o “importante”. O Jogo tem urgências diárias; o potencial de outras indústrias, por “não ser urgente”, é adiado ano após ano. Resultado: Macau tem muitos ativos institucionais, mas adormecidos.
Por exemplo, Macau é das raras cidades chinesas sem controlo cambial e com porto franco. Esta vantagem serve hoje os capitais do Jogo, mas não atrai sistematicamente outro capital internacional. Macau tem o português como língua oficial, o Fórum Macau e liga 200 milhões de pessoas em nove países lusófonos.
Mas a plataforma foca-se em cimeiras ministeriais; negócios diários, arbitragem e troca de saberes não ocorrem aqui de forma contínua. Estes ativos têm valor, só não foi concretizado.
Chamo isto “custo de oportunidade do capital institucional” – não falta capacidade, mas na prosperidade, recursos e imaginação foram para o setor mais rentável. As outras possibilidades, por não serem urgentes, adormeceram.
A queda das receitas do Jogo na pandemia foi um ensaio. A cidade percebeu: sem jogadores, o que resta? Este foi o contexto que ditou o rumo da diversificação económica. Há rumo, mas não ecossistema. O apoio institucional ainda precisa de tempo. No próximo artigo, falarei dos ativos institucionais por ativar – as cartas que Macau tem, mas ainda não jogou.