A iniciativa foi anunciada em agosto de 2020 e culminou, em setembro do mesmo ano, numa cerimónia na Casa Branca, onde Israel, Emirados Árabes Unidos e Bahrein formalizaram o estabelecimento de relações diplomáticas. Mais tarde, Marrocos e Sudão também aderiram ao processo de normalização com Israel.
O nome dos acordos faz referência a Abraão, figura comum às três grandes religiões monoteístas — judaísmo, cristianismo e islamismo — numa tentativa de apresentar a iniciativa como um símbolo de diálogo e aproximação entre povos.
Antes destes acordos, apenas o Egito e a Jordânia tinham relações diplomáticas formais com Israel entre os países árabes. A aproximação com os Emirados e o Bahrein representou uma mudança significativa, uma vez que durante décadas muitos governos árabes condicionaram qualquer normalização ao avanço de um acordo de paz entre Israel e os palestinianos.
Uma aposta dos EUA contra a influência do Irão
Para Washington, os Acordos de Abraão têm também uma dimensão estratégica. A administração Trump viu a aproximação entre Israel e países árabes como uma forma de reforçar uma aliança regional contra a influência do Irão no Médio Oriente.
Além da componente diplomática, os acordos abriram portas a novos negócios nas áreas da tecnologia, energia, turismo, defesa e investimento. Israel e os países signatários passaram a desenvolver projetos conjuntos e a aumentar a cooperação económica.
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Os Estados Unidos mantiveram um papel central no processo, funcionando como mediador e oferecendo incentivos políticos e económicos aos países envolvidos.
Porque a Arábia Saudita é considerada a peça-chave
Apesar dos avanços, a grande prioridade da diplomacia norte-americana continua a ser a entrada da Arábia Saudita nos Acordos de Abraão. O reino saudita é considerado um dos países mais influentes do mundo árabe e uma normalização das relações com Israel teria um impacto muito superior ao dos acordos anteriores.
No entanto, Riade tem mantido uma posição mais cautelosa. As autoridades sauditas afirmam que o reconhecimento de Israel deve estar ligado à criação de um Estado palestiniano e a progressos no conflito israelo-palestiniano.
A guerra em Gaza após os ataques de 7 de outubro de 2023 tornou ainda mais difícil esse avanço, aumentando a pressão interna e regional sobre a liderança saudita.