Apesar da aproximação entre os dois países nos últimos anos, a Arábia Saudita continua sem estabelecer relações diplomáticas formais com Israel. Riade tem defendido que qualquer reconhecimento deve estar ligado à criação de um Estado palestiniano, uma posição que ganhou ainda mais peso após a guerra em Gaza.
A questão palestiniana é um dos principais obstáculos ao acordo. O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, já afirmou anteriormente que o reino pretende avançar para uma relação com Israel, mas considera necessário um compromisso político que responda às aspirações dos palestinianos.
Durante a primeira administração Trump, os Estados Unidos conseguiram promover os chamados Acordos de Abraão, que levaram à normalização das relações entre Israel e países como os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein. A Arábia Saudita, porém, manteve-se de fora devido ao peso político e religioso que tem na região.
A posição saudita também mudou após o início da guerra entre Israel e o Hamas, em outubro de 2023. O conflito provocou uma forte reação no mundo árabe e tornou mais difícil para Riade avançar publicamente com uma aproximação a Telavive sem obter contrapartidas para a causa palestiniana.
O acordo nuclear anunciado esta semana entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita pode alterar esse equilíbrio. O entendimento prevê cooperação no desenvolvimento de energia nuclear civil, mas Trump afirmou que o avanço depende da entrada saudita nos Acordos de Abraão.
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O Presidente norte-americano garantiu ainda que não haverá enriquecimento de urânio por parte da Arábia Saudita no âmbito do acordo. A possibilidade de Riade desenvolver capacidade própria de enriquecimento tinha levantado preocupações internacionais devido ao risco de utilização dessa tecnologia para fins militares.
Para a Arábia Saudita, o programa nuclear representa uma oportunidade económica e estratégica, permitindo diversificar a produção energética e reduzir a dependência do petróleo. Para os Estados Unidos, o acordo reforça a presença norte-americana numa região onde a China e a Rússia também procuram aumentar a influência.
Um eventual reconhecimento de Israel por parte de Riade teria impacto significativo no Médio Oriente. A Arábia Saudita é considerada uma das principais potências árabes e muçulmanas e a sua decisão poderia incentivar outros países a aprofundarem relações com Israel.
No entanto, continuam em aberto várias questões: a posição do Governo israelita sobre a criação de um Estado palestiniano, a reação da opinião pública saudita e as garantias que Riade poderá exigir a Washington antes de avançar.
O acordo nuclear pode ser visto como uma oportunidade de aproximação histórica, mas o reconhecimento de Israel continua a depender de uma negociação mais ampla, onde energia, segurança regional e a questão palestiniana estão diretamente ligadas.