Ao longo dos anos já nos fomos habituando a momentos menos felizes, gafes e erros protocolares cometidos por representantes do governo português que visitam Macau (independentemente da cor partidária), fruto, entre outras possíveis razões, do desconhecimento da realidade local e/ou de uma preparação insuficiente.
Essa falta de cuidado não é apenas um detalhe de etiqueta; é um reflexo de uma postura que transmite desinteresse e até um certo desrespeito pela comunidade que aqui vive e trabalha. Cada deslize, cada gesto mal calculado, reforça a perceção de que Lisboa olha para Macau com superficialidade, sem compreender a sua especificidade e importância.
A recente vinda do Ministro da Educação, Ciência e Inovação não foi exceção.
Anunciar publicamente, durante as cerimónias do 10 de Junho, que convidou o atual diretor da Escola Portuguesa de Macau para exercer funções em Angola sem antes ouvir os órgãos da Escola, que o haviam reconduzido há menos de 2 meses, é uma atitude que não só ignora a realidade local, como também revela uma contradição gritante: o governo português não cumpre com as suas obrigações de financiamento da Escola Portuguesa de Macau, mas, ainda assim, impõe mudanças estruturais sem diálogo.
Ao agir desta forma, o senhor ministro, numa data que se pretendia festiva e de união da comunidade, criou mal-estar e dissensão, esquecendo-se que o que está em causa não é uma mera questão administrativa, mas um pilar da presença cultural portuguesa na região. A falta de preparação e de diálogo reduziu a visita oficial a um único assunto.
O que toda a comunidade merece não é apenas maior rigor no protocolo, mas sobretudo uma mudança de atitude assente em respeito, compromisso e responsabilidade. Sem isso, cada visita corre o risco de ser recordada não como um momento de aproximação, mas como uma ocasião em que se perdeu a possibilidade de reforçar os laços entre Portugal e a sua diáspora.