As recomendações para o novo plano, aprovadas pelo Comité Central do Partido Comunista Chinês, estabelecem como objetivo alcançar uma maior “autossuficiência e fortalecimento em ciência e tecnologia”, bem como acelerar o desenvolvimento de um sistema industrial moderno e de novas forças produtivas de qualidade, de acordo com o documento aprovado pelo Comité Central e divulgado pela agência Xinhua.
A prioridade surge após vários anos de restrições impostas pelos Estados Unidos à exportação de semicondutores avançados, equipamento de fabrico de chips e software de conceção eletrónica destinado a empresas chinesas. Estas medidas procuram limitar o acesso da China a tecnologias consideradas sensíveis para aplicações de inteligência artificial e computação de elevado desempenho.
Em resposta, Pequim tem aumentado o apoio ao desenvolvimento de tecnologias nacionais. O novo plano coloca a inovação científica no centro da estratégia económica, incentivando investimento em investigação fundamental, inteligência artificial, computação quântica, biotecnologia, robótica, circuitos integrados e outros setores de alta tecnologia, segundo a Xinhua.
A indústria dos semicondutores continua a ser uma das principais prioridades. Além do investimento em capacidade produtiva, a China tem procurado reforçar a proteção da propriedade intelectual ligada ao setor. No início de agosto, o Conselho de Estado aprovou a revisão das regras de proteção dos desenhos de circuitos integrados, introduzindo critérios mais exigentes para o registo e indemnizações agravadas em casos de infração, segundo a Xinhua e a Reuters.
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O desenvolvimento de alternativas nacionais também se estende aos fabricantes chineses de memória e de chips para inteligência artificial. Empresas como a ChangXin Memory Technologies (CXMT) e a Yangtze Memory Technologies (YMTC) expandiram a produção com apoio de fundos estatais e governos locais, embora continuem limitadas no acesso aos equipamentos de litografia mais avançados devido aos controlos de exportação internacionais, segundo a Reuters.
A inteligência artificial é outro dos setores identificados como prioritários. O plano prevê acelerar a integração desta tecnologia na indústria transformadora e em serviços de elevado valor acrescentado, articulando-a com a modernização do sistema industrial e da economia digital, segundo a Xinhua.
Apesar da aposta na autossuficiência, os documentos oficiais não apontam para um afastamento da cooperação internacional. As recomendações para o 15.º Plano Quinquenal referem simultaneamente a necessidade de promover a inovação doméstica e de manter um elevado nível de abertura ao exterior, atraindo investimento estrangeiro compatível com os objetivos de desenvolvimento de alta qualidade, segundo a Xinhua.
A estratégia representa uma continuidade da orientação seguida nos últimos anos, mas com maior ênfase na capacidade de desenvolver tecnologias essenciais dentro do país. De acordo com especialistas citados pela revista Nature, as restrições norte-americanas aos semicondutores contribuíram para reforçar a prioridade atribuída à investigação científica, aos chips avançados e à inovação como pilares do novo ciclo de planeamento económico.