Ng Wai Han é a primeira mulher a assumir a tutela da Economia e Finanças desde a transferência de administração de Macau, em 1999. Até agora diretora da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), foi nomeada pelo Conselho de Estado, na sequência de proposta do Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, depois de quase dois meses em que o cargo esteve por preencher.
A nova governante substitui Tai Kin Ip, que apresentou a demissão por “motivos pessoais” em abril. No discurso de posse, Ng Wai Han prometeu promover a diversificação económica e “reforçar a resiliência económica de Macau”, defendendo que, “perante a complexidade e a volatilidade do atual ambiente económico externo”, os frutos do desenvolvimento devem traduzir-se em “benefícios concretos para os residentes”.
Para Sales Marques, o discurso de posse foi “curto, mas incisivo”. “Colocou bem o tom e apontou as principais prioridades da sua ação governativa”, diz ao PLATAFORMA. O economista sublinha que quem já lidou com a nova secretária nas funções anteriores a descreve como “dialogante” e alguém que “não volta a cara aos problemas”.
Essa capacidade de diálogo, considera, será essencial numa fase em que a recuperação económica continua desigual. “Julgo que a primeira prioridade é mesmo o diálogo com todos, para restaurar uma certa confiança nos rumos da recuperação da economia local, na direção e ritmos dados aos projetos de diversificação e nas perspectivas de desenvolvimento de Hengqin”, defende Sales Marques.
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Antes da DICJ, nova secretária trabalhou 21 anos na Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais e mais cinco na Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública. Para Sales Marques, esse percurso coloca-a “em boas condições de dialogar” com os setores “laboral, função pública e Jogo”. No entanto, “faltam o mundo empresarial e financeiro”, acrescenta.
À Lusa, Félix Pontes, antigo diretor da Autoridade Monetária de Macau, avisou que a diversificação “não se afigura fácil” e poderá demorar “cinco a 10 anos”, mantendo-se o Jogo como principal fonte de receitas do Governo. O economista alertou ainda para a vulnerabilidade de uma economia “pequena e aberta”, exposta às tensões geopolíticas e ao abrandamento da economia chinesa.
Entre os bloqueios apontados está a mão-de-obra. Félix Pontes considera que as “restrições irracionais para importar mão-de-obra qualificada” têm vindo a “atrasar inevitavelmente” a diversificação.
A pressão sente-se também no pequeno comércio. Carlos Cid Álvares, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa em Macau, disse à Lusa que as expectativas sobre Ng Wai Han são elevadas e passam pela capacidade de equilibrar a diversificação económica com as dificuldades das PME. O também presidente do Banco Nacional Ultramarino alertou que “muitos pequenos negócios de rua” correm o risco de fechar, pressionados pelo comércio online e pela deslocação de residentes a Zhuhai, onde os preços são mais baixos.
Sales Marques acrescenta ainda uma reserva sobre Hengqin. Para o economista, Ng Wai Han deve acompanhar a zona de cooperação “só indiretamente, através dos projetos económicos”, porque a administração da zona conjunta representa “uma carga demasiado elevada para uma pessoa só”.