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Hospital das Ilhas “não corresponde às expectativas”

Construído com mais de dez mil milhões de patacas para reforçar o sistema público de saúde, o Hospital das Ilhas continua longe de aliviar a pressão sobre o São Januário. Chan Hao Weng afirma que a nova unidade “não corresponde às expectativas dos cidadãos”, enquanto Pereira Coutinho defende a transferência do “máximo possível” de consultas de especialidade para reduzir a “aglomeração dos doentes” no velho hospital

Fernando M. Ferreira

Na sua intervenção antes da ordem do dia, durante a reunião plenária da Assembleia Legislativa que decorreu esta semana, Chan Hao Weng lembrou que o Governo investiu mais de dez mil milhões de patacas no novo hospital e que a unidade tem uma dimensão cerca de quatro vezes superior à do Centro Hospitalar Conde de São Januário.

No entanto, segundo o deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau, o Hospital das Ilhas representa atualmente apenas 11% dos serviços médicos públicos de Macau.

“Todos os residentes de Macau tinham expectativas de que o novo hospital aliviasse a pressão do sistema de saúde público e encurtasse os tempos de espera, ajudando efectivamente a população. Contudo, a realidade não corresponde às expectativas dos cidadãos”, disse Chan Hao Weng.

O deputado afirmou ainda que o São Januário “continua sobrecarregado todos os dias, funcionando para além da sua capacidade”, e que “os problemas da dificuldade no acesso aos serviços médicos e dos longos tempos de espera continuam sem solução”.

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As críticas de Chan Hao Weng surgem depois de o Hospital das Ilhas ter incluído residentes da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin no âmbito das quotas para consultas externas especializadas. Para o deputado, a integração regional deve ter como prioridade os residentes de Macau.

“Os residentes do exterior não pagam impostos em Macau, nem contribuem para o cofre público de Macau, mas agora podem aceder aos nossos recursos médicos públicos de elevado padrão”, apontou. “Sou a favor da integração Hengqin-Macau, mas esta deve, em primeiro lugar, assegurar o bem-estar da população local, antes de se abrir as quotas ao exterior.”

O deputado José Pereira Coutinho defendeu que o Hospital das Ilhas pode aliviar o São Januário através de uma transferência mais ampla de serviços, desde que haja concordância dos pacientes.

“De imediato e com a concordância dos pacientes há necessidade de transferir o máximo possível todas as consultas de especialidade, aliviando a aglomeração dos doentes no velho hospital e melhorar a comunicação médica e a intercomunicação dos dados dos pacientes entre as duas unidades hospitalares”, afirma ao PLATAFORMA.

Pereira Coutinho aponta também a falta de recursos humanos como um dos problemas a resolver. “Deve-se contratar mais e melhores médicos especialistas para suprir as lacunas nas diversas especialidades que não funcionam por falta de recursos humanos”.

Segundo o deputado, a pressão também afeta enfermeiros e pessoal auxiliar no São Januário. “Temos recebido muitos pedidos de apoio por parte de enfermeiros e pessoal auxiliar que trabalham sob enorme pressão por falta de pessoal”, refere, defendendo a contratação de mais enfermeiros e auxiliares “para dar vazão ao elevado volume de trabalho no CHCSJ”.

O deputado considera ainda urgente colocar em funcionamento no Hospital das Ilhas vários serviços que, no seu entender, podem ajudar a responder às necessidades do sistema público.

“Também é urgente pôr a funcionar no Hospital das Ilhas os serviços de urgência e as unidades de cuidados intensivos e queimados, bem como utilizar o máximo possível as dezenas de blocos operatórios cuja lista de espera por uma simples operação de ortopedia no velho hospital leva meses de espera”, explica ao PLATAFORMA.

Sobre a prioridade dos residentes de Macau no acesso às consultas, Pereira Coutinho diz que o princípio pode ser assegurado através de maior articulação entre as duas unidades hospitalares.

“É muito fácil dar prioridade aos residentes desde que haja uma estreita articulação entre os dois hospitais, uma vez que este problema quase nunca existiu no CHCSJ que, para além de cuidar dos residentes, tem nas mãos o atendimento de dezenas de milhões de visitantes por ano”, conclui.

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