Já estamos no ambiente de verão, numa espécie de pré-época em que a política vai de férias e o único assunto sério passa pelo mediático caso do ex-deputado Au Kam Sam. Que, aliás, nada tem a ver com a vida da população, em geral, nem com a dinâmica económica da cidade.
Trata-se de um momento importante porque, sendo o primeiro do género, através dele perceberemos como o Governo Central encara a Lei de Segurança Nacional na Região Administrativa Especial; e, por arrasto, como o Ocidente, em especial Portugal, olha para Macau nesse contexto. Tendo a importância que tem, é só isso.
Voltaremos deste período com os mesmos problemas de sempre: dependência do Jogo, uma constrangedora incapacidade de dar saltos em frente da diversificação económica, e uma missão de relação externa que, na verdade, não tem prática nem consequência. E não é por culpa do Fórum Macau, do Governo, ou do pai natal. Na verdade, começa a ser muito difícil perceber onde estão a massa crítica e o capital para lançar projetos que mudem o perfil do emprego e a composição do PIB.
Escrevo estas linhas e lembro-me de tantas outras, no mesmo contexto, que tenho alinhavado ao longo dos últimos anos. Mas não é a mesma coisa. Primeiro, porque cada dia que passa é mais um dia em que nada se passa; depois, porque depois da entrada no novo ciclo, no discurso impositivo de Pequim sobre a necessidade de mudança; e de ter sido percebido um plano estratégico que indicava o caminho e o seu sentido, pouco ou nada se passar deixa de ser apenas uma evidência. Passa mesmo a ser constrangedor; até angustiante, porque a expetativa capitula no beco da falta de horizonte.
O melhor exemplo da nova dinâmica são as operadoras de Jogo, o que parece até contraditório. Mas, no fundo, depois do Covid, são elas a dar o exemplo da transformação, trocando a relação com os ‘dealers’ por uma organização com menos gorduras, mais eficiência e melhor EBITDA. São também elas as únicas que libertam capital de investimento, para além dos fundos estatais que agora se vão criando.