Início » Governo precisa de um golpe de asa

Governo precisa de um golpe de asa

Paulo Rego, Diretor Geral

Não há datas oficiais; aliás, a comunicação institucional volta a soterrar-se num limbo que faz lembrar outros tempos – de fim de ciclo. Há indicações, expetativas nos bastidores: Xia Baolong, diretor do Gabinete para Hong Kong e Macau, deve estar a chegar. Já no ano passado cá esteve, por volta desta altura; nesse sentido, não há grande novidade.

Mas há um novo contexto: nos primeiros cinco meses do ano, multiplicaram-se reuniões em Pequim com secretários deste Governo; e há um secretário por nomear; a pasta da Economia e Finanças está vaga há quase dois meses.

Formalmente, cabe ao Chefe do Executivo preencher o vazio; na prática, nem o poder local nem o central parecem preocupados em manter a semiótica da autonomia. Ou, pelo contrário, estão é apostados em mostrar como ela (não)funciona.

Xia Baolong chega no início da semana; lá para o final da semana espera-se o nome que substitui Tai Kin Ip. O preço desta cadeia de comando é o elo da responsabilidade: da Economia para a Praia Grande; daí para o Gabinete de Ligação, que responde ao Gabinete de Hong Kong e Macau; que está debaixo do Conselho de Estado… e de Xi Jinping. Se a diversificação económica e Hengqin continuam neste limbo, vai ser de bradar aos céus.

Percebe-se a preocupação: o cargo é sensível e cada vez mais relevante, no contexto das nuvens que pairam sobre a diversificação; e marca a terceira mudança no Governo do novo ciclo: saída de André Cheong para a Assembleia Legislativa, deslocação de Wong Sio Chak para a Administração e Justiça; e entrada de Chan Tsz King para a Segurança.

Há outro gato escondido nesta decisão: manter ou não um Governo de burocratas, com pouca intuição política e nenhuma experiência empresarial

Está também no topo da estratégia a cereja amarga de Hengqin, onde se nota a forte pressão de Pequim num plano de investimentos que dá sinais de impossibilidade. Neste contexto, mais vale decidir tarde, mas bem; do que cedo e mal. Até porque a questão é muito mais de estrutura e conceito do que de nomenclatura.

Há outro gato escondido nesta decisão: manter ou não um Governo de burocratas, com pouca intuição política e nenhuma experiência empresarial. A escolha de Sam Hou Fai, jurista treinado para fechar a porta do gabinete aos bastidores políticos, e aos lobbies económicos, ditou a necessidade de o rodear de quadros habituados a gerir a máquina administrativa, também ela desconhecida do Chefe do Executivo.

A caminho do meio do mandato, urge fazer a reflexão: como fazer uma diversificação económica sem ninguém que perceba de negócios e mercados; sem consciência das linhas com que se coze a aliança entre o plano público e o investimento privado, entre a qualificação laboral e as tendências do consumo.

Mais do que atirar esse peso para as costas do futuro secretário para a Economia e Finanças – injusto e disfuncional – Xia Baolong deve confrontar-se a si próprio com essa (in)decisão estrutural. Se o plano continua a falhar, de nada vale insistir apenas na culpa do poder local.

Tags:

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website