A vaga de ataques ocorreu durante a noite de 24 para 25 de maio e atingiu sobretudo Kiev e outras regiões urbanas da Ucrânia. A Rússia lançou mais de 600 drones e cerca de 90 mísseis, incluindo pelo menos um míssil hipersónico Oreshnik, considerado capaz de transportar ogivas nucleares, segundo informações divulgadas pelo Ministério da Defesa da Ucrânia à imprensa, citado pelo jornal Washington Post.
Pelo menos quatro pessoas morreram e mais de 80 ficaram feridas em Kiev e zonas circundantes, de acordo com uma declaração pública do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, citado pela mesma fonte. Edifícios residenciais, infraestruturas comerciais e instalações energéticas sofreram danos significativos, enquanto centenas de residentes procuraram abrigo nas estações de metro da capital.
A Missão de Monitorização dos Direitos Humanos das Nações Unidas na Ucrânia indicou, em relatório publicado no seu site oficial, que apenas entre 1 e 5 de maio, pelo menos 70 civis morreram e mais de 500 ficaram feridos em ataques registados em diferentes regiões do país. A organização alertou para o aumento contínuo do número de vítimas civis devido à intensificação dos bombardeamentos russos.
Desde o início da invasão em larga escala da Rússia, em fevereiro de 2022, até ao final de 2025, morreram pelo menos 14.999 civis ucranianos e mais de 40.000 ficaram feridos, segundo dados da Human Rights Watch, publicados no seu relatório anual. As Nações Unidas consideram que os números reais poderão ser superiores devido às dificuldades de verificação em zonas ocupadas ou fortemente afetadas pelos combates.
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Os ataques mais recentes provocaram danos em habitações, escolas, hospitais e infraestruturas energéticas. O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (UNOCHA) alertou, em comunicado oficial, que quase 90% dos ataques recentes atingiram áreas civis ou infraestruturas essenciais, agravando os problemas de acesso à eletricidade, água e serviços médicos.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou numa conferência de imprensa em Nova Iorque que é necessária uma “desescalada imediata e sustentada” do conflito, advertindo para o risco de uma escalada descontrolada com consequências imprevisíveis, segundo o jornal The Times. Guterres defendeu um cessar-fogo total e incondicional, em conformidade com o direito internacional e a Carta das Nações Unidas.
Os ataques russos demonstram “desespero e desprezo pelas negociações de paz”, declarou numa entrevista oficial a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, citada pelo Vatican News. A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou também numa conferência de imprensa que será necessário reforçar a pressão política e económica sobre Moscovo e reiterou o apoio militar da União Europeia à Ucrânia.
O Conselho da União Europeia anunciou num comunicado oficial um pacote de apoio financeiro de 90 mil milhões de euros para apoiar as necessidades orçamentais e de defesa da Ucrânia em 2026 e 2027, incluindo cerca de 30 mil milhões de euros para apoio económico e 60 mil milhões de euros destinados à assistência militar.
Os ataques refletem uma nova fase de pressão militar russa, marcada pelo uso intensivo de drones e mísseis de longo alcance contra centros urbanos e infraestruturas críticas, segundo o Hungarian Conservative. O conflito continua a provocar deslocações em massa, destruição económica e crescente pressão sobre os sistemas humanitários europeus.