À beira do abismo - Plataforma Media

À beira do abismo

Portugal vive o drama da agressão à equipa de futebol do Sporting, pela mãos – e bastões – de um bando de encapuzados oriundo da própria claque leonina. O mundo choca-se com o discurso musculado do presidente do clube, Bruno de Carvalho, mas as fragilidades expostas por este caso são infindáveis. A começar por uma agenda mediática próxima da demência, explorando a ignorância e a emoção fácil. Notícias falsas; redes sociais citadas inútil e compulsivamente; cedências tribais, ideológicas e económicas, insultos permanentes e em direto… 

Não é um exclusivo português, nem sequer no futebolês. Estados Unidos, Israel, Rússia, Brasil, Venezuela, Espanha, Itália, Holanda, Áustria, Hungria, Holanda  – entre outros – provam a falência da democracia, tal como a conhecíamos. Perante o eclipse dos partidos de regime, e o descrédito dos políticos tradicionais, eleitores rendem-se a discursos xenófobos e promessas vãs de líderes, intelectualmente pobres, conceptualmente violentos, economicamente perigosos e politicamente tristes.

Educar e renovar a cultura de exigência ajuda a recuperar o elo entre povo e lideranças. Já os media têm de acelerar o passo da relevância e da credibilidade. No curto prazo, os ecos do populismo até amplificam audiências e realidades virtuais. Mas a curva J – sustentabilidade e crescimento – é mais forte e promissora nas marcas globais de referência. 

Bruno de Carvalho criou no Sporting um monstro populista e violento sobre o qual perdeu o controlo; quando Trump parte a loiça em Jerusalém ou em Pyongyang, assume-se como ícone da democratura autofágica; se os media param de pensar… povo, líderes e mensageiros vão juntos e de mão dada. Sempre em frente até ao abismo. 

Paulo Rego  25.05.2018

Este artigo está disponível em: 繁體中文

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