Macau felizmente tem-vos a vós

por Arsenio Reis

Na semana passada, Macau sofreu em sucessão a devastação dos tufões Hato e Pakhar, na mais forte tempestade tropical em mais de 50 anos. Contudo, esta semana a cidade começa gradualmente a retomar o seu funcionamento, com as vidas a regressar à normalidade, incluindo aqueles na linha da frente como as forças da Polícia de Segurança Pública, os bombeiros, agentes de fronteiras, funcionários de assuntos cívicos e pessoal médico. Juntam-se ainda a estes os jornalistas, a Guarnição em Macau do Exército de Libertação do Povo, os funcionários de todo o tipo de organizações sociais e os jovens voluntários.

Devido à elevada força destruidora do tufão Hato, para além de causarem faltas de luz e de água, os ventos e as marés também causaram uma subida do nível do mar que avançou a grandes velocidades rumo a metade da cidade. Com isto perderam-se as vidas de dez pessoas e mais de 200 outras ficaram feridas. O tufão Hato fez com que esta cidade costeira de baixa altitude entrasse em estado de paralisia.

Depois do tufão, a cidade ficou coberta com as marcas da destruição. Ainda com o anúncio de medidas de apoio económico por parte do governo da RAEM, foi difícil acalmar os espíritos dos residentes. Entre faltas de luz e água, árvores caídas, estruturas metálicas e lixo nas ruas, juntou-se ainda o tufão Pakhar. Embora de menor intensidade do que o Hato, ele trouxe consigo chuvas torrenciais, atrasando os trabalhos de reparação das instalações de água e luz, e de limpeza das ruas, e deixando os cidadãos numa situação difícil.

Como foi possível ver nestes últimos três dias, a Polícia de Segurança Pública e os bombeiros trabalharam sem descanso, mantendo-se firmes nos seus cargos e cumprindo uma por uma todas as tarefas de emergência.

Uma vez que a água, eletricidade e trânsito ainda não recuperaram completamente o seu estado normal, Macau encontra-se ainda em estado de alerta. Foram iniciadas operações de emergência exigindo grandes quantidades de recursos humanos, e as organizações sociais também começaram a reunir ajuda. Com a chegada de mil militares do Exército de Libertação do Povo Chinês, levando consigo ferramentas de auxílio, foi possível realizar as atividades de emergência de forma mais rápida, e a sua eficiência e disciplina também ajudou a recuperar a normalidade nas estradas. Esta foi a primeira vez que o exército efetuou uma missão na cidade. Tendo a sua vinda sido para efeitos de operações de auxílio, as opiniões gerais foram positivas, mas também fica a esperança de que não haja uma segunda vez.

Depois do desastre, embora tenha havido algumas pessoas duvidosas em relação aos trabalhos de emergência de algumas organizações sociais, achando estar relacionados com as próximas eleições, acredito que estas organizações agiram apenas pela vontade de ajudar aqueles que necessitam, e, sendo assim, mesmo que não fosse um ano de eleições a sua ajuda teria sido a mesma.

O que mais se fez notar nestas ações de emergência foi o surgimento de algumas caras novas. As suas idades não eram elevadas, alguns na casa dos 20, uns trabalhadores, outros estudantes. Não faziam aparentemente parte de qualquer grupo. Por vezes apenas dois ou três, por vezes mais, agiam como um todo. Em todas as áreas gravemente afetadas eles deixaram a sua marca, quer a limpar o lixo das ruas quer a transportar objetos. Mesmo não se conhecendo, trabalhavam juntos silenciosamente, e assim que fosse terminada uma tarefa passavam para outra zona para continuar o seu trabalho. Eles e elas, todos eram jovens que participavam de forma autónoma nas atividades de emergência. Este voluntariado não foi fruto de uma organização social, os seus membros eram jovens, alguns estudantes, e depois de completarem uma tarefa abandonavam silenciosamente o local ou dirigiam-se à próxima zona que achassem que necessitava da sua ajuda, ou regressavam a casa para ajudar nas tarefas domésticas pós-desastre.

Estes grupos de jovens permitem-nos avistar o futuro de Macau. Afinal, os jovens de Macau não são pessoas desligadas da sociedade, também se juntam com outros conterrâneos para reunir forças pelo objetivo de ajudar a cidade. Sinto uma enorme gratidão por eles, e sinto esperança em relação ao futuro de Macau. Graças a vocês. Voluntários. Jovens. 

DAVID Chan 

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