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Pedro Castanho – MESMA LÍNGUA, DIFERENTES CULTURAS

Tudo parece indicar que faz sentido falar em espaço lusófono no que diz respeito à economia. Nos três países onde a Soluções Qualidade tem trabalhado, Cabo Verde, Moçambique e Angola, o número de portugueses com que nos cruzamos nas empresas é elevado. Como é elevado o número de empresas portuguesas que operam nesses mercados. Em qualquer desses países, é fácil julgarmos que estamos em casa. Paradoxalmente, deixarmo-nos iludir por essa sensação é o maior erro que podemos cometer a todos os níveis e, por maioria de razão, sobretudo ao nível da gestão de recursos humanos.

De facto podemos dizer que ao nível da gestão das pessoas nem a linguagem é a mesma. Porque as palavras nem sempre têm o mesmo significado específico, porque os comportamentos não verbais não são os mesmos, a gestão não pode ser igual. Porque a cultura não é igual, a própria cultura das organizações não é igual. Podemos notar o mesmo ADN nas organizações que conhecemos a operar nos diferentes países, mas não tenhamos dúvidas que as receitas para o sucesso não são necessariamente, para não dizer certamente, as mesmas.

Acresce que o desenvolvimento económico traz consigo um forte desafio às pessoas – ritmos acelerados, níveis de proficiência, novas oportunidades de trabalho, novos padrões de consumo, etc. – o que provoca desafios enormes à gestão do comportamento humano nas organizações. Nem uma tentativa desajeitada de informalidade, nem uma excessiva autoridade formal têm sucesso porque não são sequer percebidas essas atitudes. O sucesso, para o desenvolvimento do capital humano no espaço da lusofonia passa, necessariamente, por garantir a comunicação – ser percebido, encontrar as motivações – conhecer as culturas e os anseios e ser perseverante. Os ritmos não são iguais, e o que parece óbvio aos olhos de um europeu, mesmo oriundo de um garlic country, não o é necessariamente, para os outros povos lusófonos.

Tenho visto muitos gestores desesperar porque as coisas não correm ao ritmo que desejavam. Por vezes, a ânsia de fazer as coisas rapidamente faz perder o foco na necessidade de aprendizagem. “Ainda” é das expressões que mais sentimentos complexos provoca, é uma expressão que se usa muito em Moçambique e em Angola, não sei se sempre nos mesmos contextos. No outro dia, alguém desesperado com essa resposta disse: “ Ainda! Mas ainda o quê? Não sabes dizer ainda não?

“O seu interlocutor, moçambicano, muito calmamente argumentou: “Existe ainda sim?” Ora, este pequeno episódio realça bem os desafios da gestão de recursos humanos em países  que, falando a mesma língua, nem sempre falam da mesma maneira. Compreender a maneira de cada povo é o desafio mais importante, porque é essa compreensão que fará desbloquear a mais importante ferramenta da gestão de recursos humanos – a comunicação efetiva!

Porque só com ela poderemos aplicar com sucesso todas as técnicas devidamente aferidas para as diferentes realidades, mesmo quando os desafios do desenvolvimento organizacional e dos negócios parece o mesmo.

Pedro Castanho

Administrador da empresa Soluções Qualidade, com operações em Angola, Cabo Verde e Moçambique

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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