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Vivian Yang – A “EXPLOSÃO DE PÓ” NA ERA DAS PLATAFORMAS FRÁGEIS

Há uns dias vi o filme “Quando as luzes se apagam (As the light goes out)”. No filme, quando um dos bombeiros se encontra numa situação desesperante, atira farinha para o ar e acende um cigarro para criar uma “explosão de pó”, a fim de sair daquela situação. Isto criou em mim uma explosão de inspiração. Com o desenvolvimento das tecnologias de informação, os recetores de informação transformaram-se, hoje em dia, em plataformas individuais. Existem inúmeras plataformas semelhantes a pó, que facilmente se fragmentam, fazendo com que a ideia de implementação de informações numa “explosão de pó” seja deveras interessante.

As plataformas da informação sempre foram controladas pelos jornais, as revistas, a rádio, a televisão ou os media online. Mas, hoje, a eficiência dos microblogs veio tornar a informação realmente individual e específica. A plataforma social móvel chinesa Wechat veio tornar a partilha de informações a nível pessoal mais conveniente e equitativa. De dia e de noite, o utilizador pode ficar a saber o que se passa com todos os seus amigos. Mas é tudo realmente tão otimista? Do ponto de vista do conceito original, plataforma é “sítio mais alto”, para ser capaz de atender às necessidades específicas deste tipo de plataforma e produzir notícias, recursos ou relações humanas, é realmente baseado neste conceito de “sítio mais alto”. No passado, as pessoas confiavam nas tecnologias ou monopolizavam os recursos para criarem altura suficiente para as suas plataformas, a fim de recolherem e difundirem os recursos informativos. Mas a rápida evolução dos meios informáticos acabou para trazer para o nível individual as qualidades desse tipo de plataforma, a qual tem alguns efeitos na propagação de informação. É devido à existência de inúmeros utilizadores de redes sociais – e não apenas aos criadores das grandes plataformas que têm o privilégio de nos fornecer informações -, que estas inúmeras plataformas frágeis desabam numa explosão de pó, quando o sonho ainda não está bem cimentado.

Há quem tenha uma visão bem mais otimista das micro redes sociais, imaginando que estas plataformas estão por todo lado e são bastante acessíveis, à distância apenas da digitação de algumas palavras no telefone. O facto é que o tempo que gastamos e os custos destas plataformas, não são de todo menores, muito pelo contrário. Não é por se estar numa plataforma aparentemente feliz e animada, que se está realmente num “sítio mais alto”. Se não se quiser ceder ao capital, estas microplataformas são um regresso às origens, à passagem de informações de boca em boca. Teoricamente, os círculos de amigos do Wechat que postam informações não devem ser inocentes. Esta plataforma tem a capacidade de espalhar rapidamente e por todo o mundo estes posts. No entanto, nem todas as informações podem ter a sorte de serem espalhadas a larga escala. Ao que parece, o pouco esforço feito para espalhar estas informações também pode ter um efeito contrário. Na verdade, o tempo que se gasta e o grau de amizade no mundo real vai influenciar essa passagem e a aceitação da informação, bem como o tipo de informação que se quer passar.

A solução passa por alargar o máximo possível o círculo de amigos do Wechat. A verdade é que, o número de amigos no Wechat influencia a nossa capacidade diária de comunicação. No entanto, quando o número de amigos ultrapassa um certo limite, a nossa capacidade de leitura e absorção de informação não aumenta, mas sim diminui, começando esta pequena plataforma informativa a desmoronar-se, diminuindo a sua capacidade de divulgação.

Isto é realmente um paradoxo. As tecnologias de informação são extensivas e estão no seu nível mais alto de sempre; as linhas originais de divulgação partiram-se em vários pedaços, ligando cada um de nós a um pedaço desses escombros. Nesta ligação omnipresente ao mundo exterior, há muita gente que está sozinha e desamparada nesse enorme oceano. Quando a realidade virtual é severamente invadida, o mundo virtual colapsa e todos os mitos se dissipam. Mas, a retransmissão de informação a nível individual, acontece no Wechat a um ritmo realmente frenético, o que leva a que estas pequenas informações pessoais sejam rapidamente espalhadas a nível nacional. E é isto a que se chama “explosão de pó”. Fazendo um estudo a estas frágeis plataformas informativas, o que todas elas têm em comum é a alta energia a que funcionam. Assim que a informação cai nessas plataformas altamente energéticas, é como uma pequena faísca que inicia uma explosão e todo o ar se enche de pó, pó esse ao qual é difícil resistir. Essas pequenas informações têm um certo charme que apela ao público, em geral. Ou abordam temas difíceis ou desafiam os padrões estéticos, ou expressam os sentimentos e a indignação do povo ou falam da moralidade pública, ou são temas mais profundos e filosóficos ou apenas algo extremamente hilariante, tudo isto faz com que cada utilizador individual queira passar e repassar essa informação, nem que seja só para se divertir um pouco.  A divulgação de informações do foro mais pessoal nos microblogs contribui para desenhar a nossa própria plataforma, o que pode com mais profundidade ser explicado pela metafísica Kantiana, em que a ética é a meta final do mundo.

Nos escombros que enchem o mundo, brasas altamente energéticas vão iniciar uma nova combustão violenta neste ar cheio de pó, causando uma reação em cadeia. Como é que nos encontramos nestes tempos de explosões de informação é um tema que merece ser estudado. Há nas redes sociais muitas pequenas brasas, nocivas e altamente energéticas (incitações a ódios raciais e a conflitos, teorias plausíveis, informações kitsch, etc).  Os mais racionais, os mais inteligentes e os mais responsáveis desempenham um papel importante ao ajudar os utilizadores na descodificação das diferentes mensagens.

 

* 北京藝術家及專欄作家

Artista e colunista de Pequim

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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