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Crescer é saber incluir

Paulo Rego*

Um quarto da população, que garante serviços que os residentes rejeitam, não recebe cheque pecuniário; subsídios de saúde e educação; etc. A grande maioria vive de baixo salário, encaixando várias famílias em tugúrios de dois à quartos. O direito ao trabalho pertence à quota do patrão – não ao trabalhador; espécie de esclavagismo pós-moderno, digno da Arábia Saudita. Discutir a discriminação positiva e a multiculturalidade exige esta consciência: Macau no seu todo, moderno, eficaz e humano. Os nichos fazem sentido – e são precisos. Mas o debate só é legítimo se sair da sua caixinha elitista. Ter ou não ter BIR é um debate redutor – e vai falhar.

Os chineses do Continente – também eles rejeitados – primeiro lutam pela rara autorização para saírem de onde estão. A Birofobia, que infantiliza os residentes, barrando a massa crítica externa, não tem por base apenas a catarse colonial – que até existe, e em setores dominantes. A questão é mais vasta, complexa e grave; exige um debate global; pelo bem da RAEM – e não de nichos pós-coloniais, ou neonacionalistas.

Macau precisa desses nichos – uns mais que outros – e só pode crescer com eles. Para além das ligações lusófonas que Pequim precisa; hoje mais do que nunca. Portugal à cabeça, pela História, mas toda a Lusofonia, por estratégia. O autoritarismo e o paternalismo de Estado eternizam a menoridade; bloqueiam a meritocracia, a inovação, a diversificação e as relações internacionais.

Não se pode dar residência sem critério nem controlo. Os chineses do Continente, melhor preparados academicamente, ligados ao investimento e ao poder político… trucidariam a pasmaceira local. Já os falantes de português podem – e devem – vir de muitas geografias. Certo é que sem eles não há plataforma lusófona nem duas línguas oficiais – ideia em risco sério de abandono. Por maioria de razão, também os chineses bilingues merecem a mesma consideração. Sim… de forma clara e excecional! Porque é preciso atraí-los – e mantê-los. Nenhum outro projeto marcará pontos na Grande Baía, na China, nos Países de Língua Portuguesa… no Mundo.

A fobia existe; e até se compreende. Mas não se aceita. É preciso tirar a cabeça da areia; encontrar soluções ponderadas, justas, e eficazes.

*Diretor-Geral do PLATAFORMA

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