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Diversificação à espera do mindset certo

Guilherme Rego*

Aparentemente, o plano de diversificação apresentado pelas concessionárias foi chumbado pelo Governo de Macau. Agora, prevê-se o seu lançamento para setembro, dando tempo para as duas partes se entenderem e reconfigurarem as propostas. A fonte anónima que falou à Asia Gaming Brief diz que os planos apresentados pelas concessionárias estão ainda longe daquilo que o Governo entende ser necessário para o futuro da Região. Diz mesmo que estão em causa “grandes mudanças” nas propostas e que as autoridades de Macau questionam também a eficácia dos projetos apresentados.

Já se sabia que esta nova fase de cooperação público-privada não seria fácil de concretizar. O ‘timing’ também não ajuda. Numa fase de recuperação económica e financeira, as prioridades das concessionárias não estão na concretização de objetivos a longo prazo, mas sim em mitigar os prejuízos acumulados durante a pandemia, e rápido. Isso faz-se por um modelo já bem conhecido por estas empresas – jogo. As receitas da grande indústria ainda não recuperaram – estão longe disso -, pelo que há alguma hesitação por parte das concessionárias de entrar já numa nova era, sem recompor o que podem daquela que finda. Além disso, esta nova fase não traz garantias de sucesso, muito menos equivalentes. E como a prioridade não é, para ninguém, a diversificação imediata das receitas, é compreensível que não tenha havido tempo nem recursos necessários para redigir um plano que apaziguasse todas as partes e interesses. Do lado das concessionárias, por exemplo, há muitas dúvidas sobre como revitalizar os antigos bairros e capitalizar com isso.

Para já, este contratempo não é causa de alarme. Até é um bom indicativo da seriedade com que o Governo desempenha a sua função. No entanto, também tem de ter em conta aquilo que é o papel e as intenções das concessionárias no tabuleiro da diversificação. O plano tem de estar alinhavado com os interesses destas empresas, que é naturalmente a produção de receitas adicionais ao mesmo tempo que cumpre os requisitos das novas concessões. Pedir uma responsabilidade social exacerbada a grandes corporações não é justo, nem honesto. Noutras palavras, o Governo tem de ser o volante e as concessionárias o motor. Precisa de guiar as concessionárias, sem se esquecer da sua natureza. Quem verdadeiramente tem a responsabilidade de mudar Macau é o Governo, e por isso tem de dar o exemplo e apontar a direção.

Este recuo no projeto revela que as concessionárias não estão 100 por cento certas da sua responsabilidade na diversificação, nem como impulsioná-la. A verdade é que a transição é visceral e muda radicalmente o modelo de negócio, pelo que leva tempo. No que toca ao Governo, fica a nota positiva da exigência que está a exercer nos projetos das concessionárias. O mindset ainda está a ser afinado. Há muito a melhorar para a cooperação ser bem-sucedida e mutuamente benéfica, e essa responsabilidade cabe apenas ao Governo. Esperamos pelo anúncio para perceber como cada concessionária planeia a sua diversificação e se isso será apenas um peso nas contas ou uma mais-valia para o seu futuro.

*Diretor-Executivo do PLATAFORMA

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