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Venha a política

Paulo RegoPaulo Rego*
Paulo Rego

Poucos países ou regiões terão sensações tão contraditórias como Macau em relação à crise pandémica que assolou o planeta. Por um lado, o combate radical ao isolamento garantiu a segurança da população; por outro isolou Macau do mundo.

A porta aberta apenas ao Continente facilitou a integração política e a transição nacionalista do agrado de Pequim, mas atrasou demasiado a responsabilidade política do novo Executivo de Ho Iat Seng, que se vai eternizando numa espécie de bolha de conforto, sem ter de dar provas na sua capacidade de reformar a Administração Pública, promover a diversificação económica… e até de encontrar o devido equilíbrio entre a integração regional na Grande Baía e a missão de promover as relações lusófonas.

Leia mais sobre o assunto: Ho Iat Seng pede reflexão sobre as falhas

A invasão da Ucrânia tirou a Covid-19 do mapa das televisões, mas a crise pandémica está longe do fim. Primeiro, porque o combate foi – e é – muito desigual, tendo as nações mais ricas e avançadas tido acesso a vacinas e cuidados de saúde muito diferentes daqueles que, por falta de recursos e de políticas sociais, deixaram o vírus livre no seu percurso de transmissão e multiplicação de variantes.

Depois, porque países como a China – e outros – optaram por uma estratégia de isolamentos em massa que, como se prova hoje no Continente, ou em Hong Kong, dificultou a imunização de grupo, por contágio e a chamada evolução para uma endemia. Contudo, não impedindo o ressurgimento de novos focos de infeção e renovadas necessidades de isolamento.

Não há fórmulas mágicas nem totalmente seguras. Certo é que, a partir deste momento, a recuperação económica e a mobilidade social tem de ser recuperada, seja qual for o ponto de partida em que se encontra cada um dos cantos do planeta.

E Macau, sejam quais forem as condicionantes, tem de se concentrar na construção do seu futuro. Os problemas existem e são graves. O vírus anda aí – e andará; a guerra na Ucrânia terá consequências a todos os níveis na nova ordem mundial. Mas a solução não é esperar – é agir. Sejam quais forem as circunstâncias.

*Diretor-Geral do PLATAFORMA

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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