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JOGO EM EBULIÇÃO

 

‬Aos protestos dos funcionários dos casinos, somam-se as previsões da agência Fitch, que baixou de 10 para 4% as expetativas de crescimento das receitas para este ano

 

O novo número incorpora o equilíbrio do crescimento deste ano dos segmentos de massas, VIP e ‘slots’, indica a agência de notação financeira num comunicado publicado no seu portal.

A Fitch Ratings prevê aumento das receitas dos setores de massas e das ‘slot-machines’ – respetivamente de 15 e 5%, –, mas um diminuição de 15% no segmento VIP.

“Isso equivale a dois meses de quebras de 3,5% até ao final do ano, o que é consistente com os dois últimos meses”, refere a Fitch Ratings.

As restrições ao tabaco que vão ser impostas nos espaços de jogo, a partir do próximo mês, obrigando à instalação de salas de fumo, e as difíceis comparações anuais (setor de massas e VIP cresceram, respetivamente, 44 e 18% no último trimestre de 2013) foram algumas das premissas que a Fitch levou em conta nos novos cálculos.

Apesar de salientar que se mantêm “fortes” os fundamentos a longo prazo, a Fitch observa que “o segmento VIP tem sido recentemente pressionado pelo apertar do cerco ao crédito dos junkets (angariadores de jogadores VIP) e pela campanha de repressão da corrupção na China.

“Acreditamos que estas pressões são temporárias e esperamos que o segmento VIP regresse a ‘terreno positivo’ no início de 2015”, refere a Fitch que mantém uma perspetiva positiva para o setor de massas.

Os casinos de Macau fecharam agosto com receitas de 28.876 milhões de patacas (3.572 milhões de dólares), num mês marcado pela terceira queda homóloga consecutiva, caindo 6,1% em relação a agosto de 2013, após as quedas anuais homólogas de 3,6 e 3,7% em julho e junho, respetivamente, as primeiras registadas desde 2009.

Já no cômputo dos primeiros oito meses do ano, os casinos de Macau faturaram 250.377 milhões de patacas (30.980milhões de dólares), valor que traduz um aumento, em termos anuais, de 8,1%.

Em 2013, o setor do jogo encerrou com receitas brutas totais de 361.866 milhões de patacas (42.647 milhões de dólares), mais 18,55% do que no ano anterior. Seis operadores estão licenciados para explorarem jogos de fortuna e azar em 35 casinos, os quais disponibilizavam, no final de março, 5.710 mesas de jogo e 12.895 ‘slot machines’.

 

NOVA MANIFESTAÇÃO

No sábado,  trabalhadores da Sociedade de Jogos de Macau (SJM) voltaram às ruas em protesto e acusaram a operadora de não os deixar tirar folga no dia da manifestação, uma acusação que a empresa rejeita.

“A SJM cancelou todas as folgas de hoje”, disse King Chan, supervisor de sala no casino Grand Lisboa e um dos organizadores do protesto de hoje. “As pessoas que estão aqui, ou foram trabalhar de manhã ou vão à noite”, acrescentou.

Segundo Pun Weng Kuong, croupier daquele casino, adiantou que “há até pessoas que estavam de folga e tiveram de ir trabalhar no sábado. Ligaram-lhes a dizer: ‘Desculpe, mas tem de vir trabalhar’”.

No entretanto, a operadora de jogo nega as acusações.

“Não é verdade. Podem tirar dias de folga, desde que seja acordado com o supervisor. Se foram chamados a trabalhar e era o seu dia de folga, a empresa vai pagar de acordo com a situação. E se quiserem, podem recusar fazê-lo, de acordo com a lei laboral”, disse o diretor executivo da SJM, Ambrose So, citado pela Lusa.

Os trabalhadores queixam-se ainda de não conseguirem dialogar com a empresa mas recusam, por agora, partir para a greve – um direito previsto na Lei Básica de Macau mas que nunca foi regulamentado.

“Não queremos perder o nosso emprego, não queremos sair da empresa, mas queremos conversações pacíficas, porque somos trabalhadores normais e queremos falar com os patrões. Vamos continuar a insistir de forma pacífica”, afirmou Chan.

Entre os cerca de 700 manifestantes estava também Shirley Sim, de t-shirt preta, o uniforme escolhido para identificar os trabalhadores da SJM. O valor dos salários foi o principal motivo que levou esta supervisora de sala do Grand Lisboa a juntar-se ao protesto.

“Recebemos menos 5.000 patacas (483 euros) que os trabalhadores das outras operadoras”, queixou-se.

Atualmente a auferir um salário de 22.000 patacas (2.755 dólares), Shirley Sim, de 48 anos, pede também que sejam atribuídos 14 meses de salário e bónus no final de cada ano.

O pedido é secundado pelo croupier Pun Weng Kuong, que reclama, ainda, o aumento dos dias de férias, dos 12 que goza atualmente para os 26 a que alguns trabalhadores de escalões mais elevados têm direito.

Este funcionário, de 34 anos, conta com um salário de 19.000 patacas (2.379 euros) que considera insuficiente, tendo em conta que outras operadoras, diz, oferecem 22.000 patacas (dólares) e a Wynn chega até às 30.000 patacas (3.757 dólares), incluindo horas extra.

 

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