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Baixa taxa de natalidade apresenta desafios às escolas mais pequenas

Com a diminuição da taxa de natalidade, as escolas, especialmente as escolas primárias e jardins de infância de menor dimensão, enfrentam o desafio da matricular alunos mais cedo. Algumas descreveram a matrícula deste ano como ainda mais desafiadora do que após o surto de SARS. Atualmente, mais de metade ainda estã a aceitar inscrições para crianças do pré-escolar, e muitas das mais pequenas têm matrícula de apenas um ou dois dígitos, o que significa que a oferta de vagas de pré-escolar excede a procura, e uma possível crise nas escolas está gradualmente a aproximar-se.

Com a taxa de natalidade a diminuir de ano para ano, o número de alunos do pré-escolar no novo ano letivo diminuiu em várias centenas, em comparação com o atual ano letivo. No ano passado, o número de recém-nascidos chegou mesmo a cair para mais de 3.700. Com este grupo de crianças a entrar na escola após dois anos, o número de novos alunos do pré-escolar deve diminuir para cerca de 1.000 alunos, com muitas escolas a não estarem otimistas quanto ao volume de matrículas.

Vong Kuoc Ieng, vice-presidente da Associação de Educação de Macau e diretor da Escola da Associação para Filhos e Irmãos dos Agricultores, afirmou ter sentido que a matrícula de alunos do pré-escolar este ano foi mais difícil do que o esperado, muito devido à abertura de novas escolas e ao aumento da matrícula de um pequeno número de escolas e consequente aumento na competição. Embora a posição das novas escolas seja diferente, “o bolo é pequeno, ou até menor do que antes, e algumas escolas sofrem naturalmente com a competição”. Vong admite que como Macau é uma cidade pequena, a baixa taxa de natalidade originou um efeito dominó entre as diferentes escolas locais. Felizmente, disse haver uma competição saudável entre as instituições e que todas esperam melhorar a sua competitividade mediante intercâmbios.

Segundo Vong, não há escolas fortes ou fracas, apontando as políticas de longa data do Governo como parte da razão pela qual algumas escolas estão em desvantagem. Com exceção de algumas escolas de maior dimensão, muitas em Macau têm operado em espaços reduzidos. Os subsídios do Governo estão ligados ao seu tamanho e ao número de turmas, o que naturalmente coloca as restantes em desvantagem. Como resultado, a diferença entre as escolas pode ser cada vez maior.

Vong considera que a sua escola tem um certo grau de flexibilidade, devido à sua abordagem de evolução complementar entre jardim de infância e escola primária e secundária. Com as suas matrículas ainda a um bom nível, o responsável tem tentado manter a escala da escola enquanto ajusta as estratégias de cada divisão escolar. No entanto, perante uma acentuada queda no número de nascimentos e de incerteza sobre o futuro, avisa ser difícil fazer um planeamento a médio e longo prazo, só restando esperar para ver.

Lam Lon Wai, deputado e diretor da Escola para Filhos e Irmãos dos Operários de Macau, afirmou que a taxa de natalidade levou a uma redução de matrículas em algumas escolas mais desfavorecidas. As escolas enfrentam também problemas como mudanças demográficas na comunidade, envelhecimento do equipamento escolar e problemas na educação continuada por não incluírem ligação automática entre os diferentes níveis de ensino. O Governo deve ajustar a sua estratégia para melhorar o desenvolvimento a longo prazo das escolas e adotar medidas adequadas para apoiar as operações escolares. O deputado sugere que durante o período de transição, enquanto a taxa de natalidade for baixa, a Administração deve introduzir políticas de apoio para escolas desfavorecidas, especialmente escolas primárias e jardins de infância, de modo a garantir um serviço estável de educação e de pessoal docente.

Segundo Lam, o Governo deve focar-se em medidas e sistemas para incentivar a taxa de natalidade a longo prazo, e resolver os problemas sociais causados pela queda da taxa de natalidade através de medidas como incentivos à gravidez, serviços de cuidados infantis, melhoria das infraestruturas comunitárias, subsídios familiares e subsídios em espécie.

Artigo publicado no âmbito da parceria com o Macau Daily News

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