Início China Queda na natalidade pode levar a um excedente de quase 2 milhões de professores em 2035

Queda na natalidade pode levar a um excedente de quase 2 milhões de professores em 2035

Declínio do número de nascimentos está a provocar um excedente de professores, que pode chegar a 1.9 milhões em 2035. Licenciaturas relacionadas com o ensino começam a ser desaconselhadas por alguns governos no Continente

O declínio acelerado do número de nascimentos está a provocar um excedente de professores, prevendo-se que milhões percam o emprego nos próximos 10 anos. O número de recém-nascidos na China entrou em queda livre desde 2017, com os nascimentos a caírem mais de 500 mil no ano passado, para pouco mais de 9 milhões. O número de crianças que frequentam jardins de infância também registou o seu primeiro declínio em quase duas décadas em 2021, enquanto os alunos do ensino primário diminuíram em 2022 pela primeira vez numa década (menos 478.800 em relação ao ano anterior, passando para 107 milhões), de acordo com o Ministério da Educação.

Os despedimentos nas escolas serão “inevitáveis”, e podem começar já este ano, segundo Chu Zhaohui, investigador na Academia Nacional de Ciências da Educação da China, que falou ao South China Morning Post. “De acordo com a minha investigação no terreno, devido aos seus encargos financeiros, as autarquias locais irão certamente recrutar menos professores este ano”.

A pressão fiscal sob as autoridades locais tem aumentado, uma vez que a crise no setor imobiliário – a sua mais importante fonte de rendimento – não dá sinais de abrandar, e outros desafios, incluindo a fraca procura interna e externa, travam a recuperação pós-pandémica da segunda maior economia do mundo. Em novembro, o departamento de educação da província de Hunan emitiu uma diretiva que instava a uma melhor alocação dos recursos educativos nos próximos cinco a dez anos, com base na taxa de natalidade, na urbanização e no número de crianças em idade escolar.

De acordo com uma investigação da Universidade Normal de Pequim, vai haver um excedente de 1.5 milhões de professores do ensino primário e de 370 mil professores do ensino secundário até 2035

No ano passado, uma série de outras administrações locais, como as de Shandong e Sichuan, anunciaram planos para deixar de oferecer cursos superiores relacionados com o ensino em certas universidades, a fim de reduzir a oferta de professores.

As consequências da baixa taxa de natalidade não acabam no excesso de professores. Há décadas que as escolas chegam a ter 50 alunos por turma, em zonas urbanas, e 30 nas zonas rurais. Se estes níveis se mantiverem, vai haver um excedente de 1.5 milhões de professores no ensino primário e de 370 mil professores no ensino secundário até 2035, ou seja, praticamente 1.9 milhões. Esta estimativa foi feita por Qiao Jinzhong, professor de educação na Universidade Normal de Pequim.

Males que vêm por bem

Mas o facto de haver menos alunos por cada escola e professor pode também trazer benefícios a nível formativo. Pelo menos é essa a opinião de alguns professores, que se queixam de não conseguir dar a atenção necessária a alguns alunos.

Huang Bin, professor do Instituto de Educação da Universidade de Nanjing, também concorda com essa análise. Ao South China Morning Post, disse que o declínio na procura de recursos didáticos não é mau, especialmente para as escolas mais remotas, onde os professores tendem a ter pouca formação e carecem de oportunidades de desenvolvimento.

“Muitos professores têm níveis de competências relativamente baixos, especialmente os das escolas rurais. É de grande importância promover a qualificação dos professores das zonas rurais através da eliminação quantitativa”.

Menos crianças significaria também menos concorrência para as escolas, o que poderia aliviar a ansiedade dos pais e o stress dos estudantes, acrescentou Huang. “A longo prazo, à medida que o número de crianças diminui, poderá haver uma onda de integração de faculdades e universidades, e as diferenças entre estas instituições poderão diminuir. Isto pode ajudar a aliviar a ansiedade generalizada em relação aos exames de admissão às universidades.”

Apesar dos esforços a nível nacional para melhorar a qualidade no ensino, a maioria dos pais continua preocupada com a educação dos filhos. De acordo com um inquérito realizado pela plataforma de notícias tecnológicas online youth36kr, em maio de 2023, mais de 72 por cento dos 535 pais inquiridos expressaram elevados níveis de ansiedade, classificando-a acima de cinco numa escala de 10.

Esta situação não só está a exercer uma pressão intensa sobre as crianças, resultando em problemas físicos e psicológicos, como também está a contribuir para a perceção de uma relutância crescente em criar filhos, apesar dos crescentes incentivos do Governo para aumentar o número de nascimentos.

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