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Quatro portugueses que garantem a paz no mundo

André, Carina, Francisco e Inês partem, este sábado, para a Roménia ao abrigo de uma missão da NATO. Integram a 4.ª Força Nacional Destacada da Companhia de Atiradores Mecanizada composta por 200 militares. Em comum têm o desejo de “honrar a pátria” e contribuir para a defesa coletiva, esperando que “o Mundo se possa tornar um lugar um bocadinho melhor”.

Era outubro e a manhã de quarta-feira estava cinzenta, fria, mas ao mesmo tempo serena. Ao longe lá surgia a serra do Marão coberta pelo nevoeiro cerrado que mal deixava contemplar a vista. Paisagem privilegiada têm os militares do Regimento de Infantaria Nº 13, em Vila Real. Uma montanha de perder de vista abraça o complexo, quase como se estivessem protegidos por ela. Há uma espécie de sensação caseira, confortante, que Carina Babaroca, primeiro-cabo, acabou por encontrar no Exército. O ditado diz que o sonho comanda a vida e a verdade é que o caminho desta jovem de 24 anos cruzou o percurso militar: “Sempre quis vir para o Exército. Sempre ambicionei. E foi sempre um bichinho que foi ficando. Lembro-me perfeitamente: fiz a recruta em Abrantes, não tinha carta de condução e os meus pais foram-me levar à porta do quartel, não conhecia ninguém, estava muito nervosa… mas foi aí que me caiu o chip. Pensei: ‘Já que aqui estou, vou cumprir o objetivo’. E foi magnífico.”

Mas nem só de cor de rosa se pintam os sonhos e as ambições. Pelo meio Carina teve de “crescer rápido”, “aprender a viver em comunidade”, “ser disciplinada” e o pior, assegura, “foi ficar longe da família”, longe da sua mãe. “Há uma Carina que estava habituada a depender dos pais e há uma Carina que agora é independente. A nível pessoal, a nível monetário, a nível de responsabilidade, de maturidade, há uma Carina totalmente diferente. O Exército faz-nos crescer, amadurecer, faz-nos ver uma realidade da vida. Mas reconheço que no início o que custou mais foi habituar-me a uma rotina, a ter regras.”

Dificuldade essa transversal a todos os protagonistas desta história. Para André Valente, major de Infantaria, natural de Vilar Formoso, a rigidez de horários e a exigência na execução das tarefas marcaram o jovem de 18 anos que entrou na Academia Militar em 2001: “A alvorada toca impreterivelmente às 7 horas da manhã e tive de me habituar a fazer a cama todos os dias, a desfazer a barba, a ter cuidado com o corte de cabelo. Para mim foi tudo uma novidade. Aqui aprendemos a fazer tudo isto sem falhas”. Quem também não falhou no compromisso de salvar vidas e de servir o Exército foi Inês Mourato Nunes, major médica, que desde sempre lidou com as exigências deste meio, porque é filha de um militar. Concorrer à Academia e entrar para o curso de Medicina, aos 18 anos, foi um dos primeiros desafios da sua vida. “Esta escolha obrigou-me a ter outro tipo de disciplina e de métodos. Se calhar, um estudo a horas diferentes, uma gestão melhor do tempo, porque nós, além das aulas na faculdade, tínhamos aulas na academia, portanto, houve uma maior necessidade de gestão e de organização”.

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