Abutres em vias de extinção morrem envenenados na Guiné-Bissau

Abutres em vias de extinção morrem envenenados na Guiné-Bissau

As suspeitas de envenenamento foram confirmadas pela Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa.

Segundo uma carta divulgada na revista Science, na sexta-feira passada, dia 16 de outubro, por um gupo de investigadores e de proteção de espécies, mais de dois mil abutres foram mortos com inseticida na Guiné-Bissau. Os investigadores consideram o envenenamento como o mais “letal envenenamento intencional de abutres no mundo”.

Esta espécie de abutre, o Necrosyrtes monachus (abutre de capuz), está em perigo de extinção e consta da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza.

Mas qual a razão que leva ao envenenamento de milhares de abutres? De acordo com o comunicado, a ação foi propositada para “remover as cabeças para alimentar o comércio ilegal destinado à utilização de várias partes do corpo (…) em práticas de feitiçaria em diversos países da África Ocidental”.

Mohamed Henriques, luso-guineense doutorando do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e primeiro autor do artigo, disse que “centenas de cadáveres destes abutres encontravam-se sem cabeça, empilhados e intencionalmente escondidos sob arbustos”. 

Os investigadores que enviaram a carta à revista Science acreditam que o veneno é responsável pela morte de 30 por cento dos abutres no continente africano. Estimam que nos últimos 30 anos tenham desaparecido entre 60 a 70 por cento de populações de várias espécies na África Ocidental.

Paulo Catry, um dos autores do estudo, investigador e professor auxiliar do Centro de Ciências do Mar e Ambiente do Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida (ISPA) alertou para o papel fulcral que o país tem na preservação da espécie. “A Guiné-Bissau alberga mais de um quinto da população mundial desta espécie, sendo atualmente um dos países mais importantes para a conservação a nível mundial”.

Os abutres que morreram vítimas do envenenamento representam cerca de um por cento da população mundial da espécie.

A função dos abutres é essencial para os humanos, segundo Mohamed Henriques. Estes animais são “limpadores”, pois eliminam grande parte do lixo orgânico das cidades e vilas do país. Ao fazê-lo, evitam a proliferação de doenças infeciosas que se encontram na matéria em decomposição. 

Os autores da carta apelam também para a necessidade de se realizarem campanhas de sensibilização para a proteção da espécie.

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