As grilhetas serão Pandémicas? Plataforma Media

As grilhetas serão pandémicas?

Este fim de semana em Portugal a GNR acabou com uma festa de 80 pessoas, junto a uma barragem no concelho de Silves. A GNR agiu dentro da lei. Uma lei que à conta do Covid-19 permite acabar com qualquer festa com mais de 10 ou 20 pessoas.

Proibir ajuntamentos – pratica comum antes do 25 de Abril – é hoje uma medida de saúde publica e ninguém, neste país, parece discutir a sua aplicação.

Aquelas 80 pessoas não podiam conviver em pleno campo e por isso a festa acabou. Claro que – no limite dos limites – elas teriam a liberdade de serem contaminadas com o vírus.

Esta mesma festa há uns meses seria salutar e dificilmente provocaria a intervenção das forças policiais.

O mais recente relatório da Freedom House revela uma degradação das práticas democráticas em mais de 80 países, à conta das medidas de combate ao Covid-19.

E este é um exemplo que não incomoda. O problema é que a Pandemia pode estar a colocar em causa a qualidade da democracia que vivemos.

O mais recente relatório da Freedom House revela uma degradação das práticas democráticas em mais de 80 países, à conta das medidas de combate à Covid-19.

Há exemplos de perseguições de minorias étnicas e religiosas, mudanças de leis eleitorais, abusos de poder por parte de governos e obstáculos ao trabalho jornalístico.

Claro que foi nos países classificados como “não livres” que esta tendência mais se fez sentir. Em 65 países analisados houve relatos de sessões dos parlamentos canceladas ou suspensas.

A comunicação social foi – obviamente – uma das vítimas das medidas para conter a Pandemia. Segundo o relatório, houve governos a impor o controlo sobre conteúdos publicados, foram postos em causa alguns registos de meios de comunicação, suspensa a impressão de jornais, negada a acreditação e limitadas as perguntas de alguns jornalistas nas conferências de imprensa.

O relatório denuncia situações deste tipo em pelo menos 91 países.

Na verdade, muitas das medidas adotadas fazem todo o sentido se compreendidas e adotadas livremente pelas populações.

Só que em bom rigor ninguém sabe quando terminará esta Pandemia. E quando ela acabar ninguém sabe também se terminam as grilhetas menos democráticas com que nos estão a habituar a viver.

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