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Poderá o discurso de Pompeo levar a uma nova Guerra Fria?

David ChanDavid Chan*

No passado dia 23 de julho, num discurso em frente ao Museu Nixon na Califórnia, o secretário de estado americano, Mike Pompeo, demonstrou o seu completo repúdio à China, declarando que a diplomacia entre os dois países iniciada por Nixon há quase 50 anos havia falhado. Alegando a existência de uma guerra atualmente entre o mundo livre e a tirania, incentivou a que todas as nações se reunissem e obrigassem a China a “mudar”. Pence tentou fazer o mesmo em 2018, sendo o recente discurso de Pompeo por isso apelidado de “Cortina de Ferro versão 2.0” e o início de uma nova Guerra Fria, desta vez entre a China e os EUA. O discurso de Pompeo, carregado de preconceito, mentiras e injúrias, não foi nada mais do que o reiterar do que já foi muitas vezes dito no passado. Parece que o discurso “Cortina de Ferro 2.0” está destinado a falhar sem causar a tal nova Guerra Fria.

Primeiramente, a China não tem interesse numa nova Guerra Fria. Caso a China quisesse, como a União Soviética, provar a superioridade do socialismo, exportando o seu modelo e cortando todos os laços comerciais com o ocidente para mostrar a sua força, seria definitivamente fácil iniciar uma nova Guerra Fria entre os dois países. Porém, ao contrário da União Soviética, a China não possui nenhum modelo ou ideologia que pretenda exportar, nem qualquer vontade em provar qual é o sistema mais forte entre o capitalismo e o socialismo. A China apenas quer desenvolver o seu país e abrir-se ao resto do mundo encontrando benefício mútuo. Para tal não é necessária uma nova Guerra Fria. Por isso será difícil para os EUA provocar um conflito.

O discurso de Pompeo, carregado de preconceito, mentiras e injúrias, não foi nada mais do que o reiterar do que já foi muitas vezes dito no passado.

Em segundo lugar, a Guerra Fria entre os EUA e União Soviética teve por base um telegrama de oito mil palavras escrito por George Frost Kennan, diplomata americano em Moscovo, e mencionado mais tarde a 5 de março de 1946 por Winston Churchill no seu discurso “Cortina de Ferro”. O discurso de Pompeo, para além de refletir o nervosismo e incompetência do atual governo americano, assim como a falta de inteligência do ex-diretor da Agência Central de Inteligência dos EUA, não vai ao encontro das atuais necessidades globais. Está apenas a desviar-se dos interesses de desenvolvimento e económicos do resto do mundo, para não mencionar que prova que a força dos EUA já não é comparável ao poder que em tempos teve. Podemos ver quais os efeitos do apelo de Trump para que fosse retirado todo o investimento estrangeiro na China. Também quando incentivou a que outros países bloqueassem a Huawei, foram precisos cinco anos para o Reino Unido implementar tal medida. Parece então que o discurso de Pompeo à procura de uma nova Guerra Fria será de novo um fracasso. 

*Editor Senior do Plataforma

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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