A Pandemia Digital é democrática? - Plataforma Media

A “Pandemia Digital” é democrática?

A covid-19 trouxe consigo um enorme entusiasmo pela tecnologia. Foi muito graças a ela que todos nós aguentamos melhor os longos períodos de confinamento que ajudaram a combater a doença.

Os humanos continuam a ser afetados pelos riscos biológicos, mas as máquinas não. Hoje é possível pensar a casa do futuro. Pensa-la como escritório, onde impera o teletrabalho, como sala de aulas, onde os nossos filhos são educados pelo que se vai passando no monitor, como consultório, onde o médico nos explica do que podemos padecer. Isto só para dar alguns exemplos.

A vida está aparentemente mais fácil do que num “passado distante”, aquele que vivíamos há uns seis meses, ou seja imediatamente antes da Pandemia.

Entramos – definitivamente – na era da Inteligência Artificial, na expectativa de que ela esteja ao serviço do diagnóstico médico, das cidades cada vez mais inteligentes, dos veículos autónomos, das várias formas de pagamento sem papel.

Claro que também aumentamos – e muito – a nossa dependência face aos chamados GAFAM (Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft). Sem nenhuma certeza sobre a bondade de lhes dar tão grande margem de manobra e atuação. Não temos sequer uma ideia concreta sobre o significado que esse caminho terá nos serviços que devem ser prestados, ou garantidos, a todos os cidadãos.

Se a Internet – e tudo o que lá se passa – vai ocupar um lugar tão determinante na vida de todos, não deveria ser considerada um serviço público, sem fins lucrativos?

Parecem não restar dúvidas sobre a importância que a tecnologia vai ter na proteção da saúde pública, para dar apenas um exemplo, mas a questão é saber a quem responderão os detentores dessas tecnologias.

O seu controlo será democrático? Estará sujeito a critérios de interesse público? Ou apenas e só a determinações iminentemente financeiras, assentes na obtenção de lucro?

Se a Internet – e tudo o que lá se passa – vai ocupar um lugar tão determinante na vida de todos, então não deveria ser considerada um serviço público? Sem fins lucrativos?

É legitima a acumulação de poder e riqueza de alguns desses gigantes digitais?

Há casos, como o da comunicação social, onde eles têm uma elevada dose de responsabilidade pela paisagem desoladora que restou depois da sua passagem. Ainda assim, todos continuamos a repetir que uma comunicação social livre é fundamental ao funcionamento da democracia.

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