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Jorge Jesus: a relação amor e ódio

Gonçalo LopesGonçalo Lopes
Gonçalo Lopes

Quando Jorge Jesus chegou ao Brasil, em julho de 2019, o seu ingresso no Flamengo não foi bem visto por todos. Ex-jogadores criticaram, treinadores brasileiros também, alguns jornalistas chegaram mesmo a humilhá-lo e a ‘torcida’ do Fla… torceu o nariz. Quando Jorge Jesus saiu do Benfica, em 2015, o clima também não foi dos melhores. Até a relação com Luís Filipe Vieira, presidente dos encarnados, ficou abalada. Ou seja, Jorge Jesus mexe com tudo e todos, seja a entrar, seja a sair, mesmo ganhando tudo.

Agora, em 2020, com o Benfica a atacar forte o regresso de Jorge Jesus, para substituir Bruno Lage, os papéis poderão inverter-se. O clima no Flamengo vai ‘pintar mal’, ainda há meses renovou e prometeu fidelidade aos jogadores e ao clube, onde, segundo o próprio, aprendeu a palavra “amor”; no Benfica virão as críticas, até internas, pela forma como saiu em 2015 e porque os sócios e adeptos também nunca o perdoaram pelos ataques à estrutura, sobretudo nos tempos seguintes, quando rumou ao Sporting.

Jorge Jesus é o exemplo claro de uma relação de amor e ódio. Veja-se: neste momento, com os rumores (não o são, há mesmo negociações para a sua vinda para Portugal) da sua saída do Brasil, já há quem em Terras de Vera Cruz lhe aponte o dedo, os adeptos, sobretudo nas rede sociais, já o chamam de traidor; por sua vez em Portugal, os opinadores dizem que Jesus será, de novo, o salvador do Benfica e os adeptos suspiram pelo seu regresso. E se a sua contratação pelo Benfica não se concretizar? Os papéis de amor e ódio voltam novamente a inverterem-se: no Fla, e no Brasil, falarão da lealdade, no Benfica de nova traição.

O sucesso, a razão do ódio

Jorge Jesus desencadeia tais sentimentos porque é um homem de paixões e com uma confiança tal que, onde está, convence tudo e todos. É teimoso? É, muito! Mas como diz o velho ditado, só Deus é perfeito. Mas a realidade é que nestas duas ‘casas’, Benfica e Flamengo, ele foi quase perfeito. Na Luz é ainda hoje o treinador com mais títulos, 10, e no Rio de Janeiro venceu tudo o que havia para vencer em menos de um ano.

Quem odeia é porque chegou a amar. Já muitos treinadores passaram por muitos clubes, venceram, saíram, mas não causaram este sentimento que Jorge Jesus causa e provoca. E ele fá-lo pela tal paixão que coloca em campo, seja nos treinos ou nos jogos, que o leva depois a conquistar o que dirigentes e adeptos querem, os títulos.

O amor e ódio são como uma moeda, tem a cara e a coroa, a dúvida aqui é saber qual das faces prevalecerá mais tempo no ser humano e Jorge Jesus é a prova que amar ou odiar para toda a vida é de extremos.

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