14 minutos de cctv (2/2) - Plataforma Media

14 minutos de cctv (2/2)

A forma como o canal de televisão chinesa CCTV cobriu durante 14 minutos a aprovação da “Lei dos Direitos Humanos e Democracia em Hong Kong 2019” pelo Senado e pela Câmara dos Representantes dos EUA foi um marco histórico na relação sino-americana, demostrando que a disputa entre os dois países irá continuar. Mas também significa que os dois países estão a entrar em conflito em áreas em que a China nunca irá ceder, como no que diz respeito à soberania, segurança nacional e o rejuvenescimento da nação. A China não mudará de posição devido à humilhação que já sofreu no passado. Em questões como estas, quem tentar ir contra o país irá sofrer as consequências. Embora Hong Kong esteja abrangido pelo princípio “Um País, Dois Sistemas”, continua a fazer parte da China. Os abundantes espiões norte- -americanos em Hong Kong tentam usar a cidade como uma forma de destruir a China, e o país, para já, lida calmamente com a situação, pois precisa de avançar no desenvolvimento, mas é completamente intolerável a forma como os EUA querem criar uma revolução nas ruas de Hong Kong e tentar que esta se espalhe para o continente chinês. Assim, com a aprovação desta nova lei pelo Senado e Câmara dos Representantes, os EUA passaram dos limites. A China só pode reagir de forma rígida e inflexível, ao contrá- rio da flexibilidade nas negociações comerciais. Tal significa também que, ao continuarem, os EUA estarão apenas a afetar a relação sino-americana. O uso de leis americanas para interferir diretamente na China e na soberania terá impacto nos laços entre os dois países, por isso os EUA devem preparar-se para uma retaliação por parte da China, que pode influenciar a campanha de Trump durante as próximas eleições. A relação sino-americana entra assim numa nova fase, e embora esta lei apenas diga respeito a Hong Kong, poderá ser alargada a Taiwan, seguida de ataques diretos ao continente chinês. São claras as intenções americanas e seria uma atitude extremamente passiva por parte da China se os dois países não entrassem em conflito nesta questão. Por isso o lado chinês não deve fazer quaisquer compromissos, pois os EUA irão continuar a lutar para derrubar e abusar da China. Claro que tal é apenas o desejo americano, mas o objetivo é claro, e por isso serve de sinal de que a relação sino-americana está a entrar numa nova era. É também óbvio que a questão irá eventualmente envolver Taiwan, fazendo com que de certa forma este conflito seja apenas um ensaio para um conflito final. A tensão entre os dois países irá provavelmente continuar ao longo do resto da primeira metade des- te século, até ao rejuvenescimento nacional chinês estar completo, que provavelmente será daqui a 20 anos ou até ao 100o aniversário da criação da Nova China. Trump, ao aprovar esta lei, desperta a fúria da China, fazendo por isso com que a subsequente suspensão da visita de navios americanos a Hong Kong e a inclusão de ONGs americanas na lista de organizações que não são bem-vindas na região possam ser algumas das medidas de resposta chi- nesa. Será um longo jogo de poder iniciado pela tentativa de revolução em Hong Kong pelos EUA, e irá continuar até o PIB chinês ultrapassar o ame- ricano e ser alcançado algum resultado em relação a Taiwan. A China não pode mudar o passado, mas ao longo do futuro os dois países irão continuar em conflito, é algo inevitável no caminho para o rejuvenescimento nacional chinês. Hong Kong faz parte da China, Taiwan faz parte da China. No con- tinente asiático é obvio quem é que está a mais, mas o futuro irá dar-nos a resposta.

David Chan 06.12.2019

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