O reitor da Universidade Pedagógica de Maputo disse hoje (16) à Lusa que o impacto das parcerias entre instituições de ensino superior lusófonas tem sido limitado pelo escasso financiamento e pelas “velocidades diferentes” com que funcionam.
Jorge Ferrão assinou na segunda-feira (15) um acordo entre a Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo) e a Universidade de Macau (UM), à margem do 35.º Encontro da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP).
O encontro junta na região chinesa durante três dias 36 reitores e presidentes de instituições de ensino superior e coincide com o IV Fórum de Reitores da China, Macau e Países de Língua Portuguesa.
Já hoje, a Universidade Politécnica de Macau (UPM) assinou um acordo de cooperação com uma outra instituição de ensino superior moçambicana, a Universidade Eduardo Mondlane.
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“As nossas universidades assinam acordos quase todos os dias. Hoje são incontáveis os acordos que fazemos. Cada um de nós assina por ano entre 20 e 30 novos acordos”, sublinhou Jorge Ferrão. “O modelo é o mesmo: queremos alguma mobilidade de estudantes e professores e queremos ter alguma oportunidade de pesquisar”, disse o reitor, à margem de uma sessão sobre relações interuniversitárias.
Do lado dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), a prioridade tem sido o investimento na pós-graduação de estudantes em universidades de Portugal e do Brasil, explicou Ferrão.
“Por um lado, porque vai ajudar a compensar as falhas que temos com os professores que precisam dessas qualificações”, referiu o reitor da UP-Maputo. “Por outro lado, porque a nossa pesquisa, sendo incipiente, precisa de ser ancorada, de alguma forma, com pesquisadores que têm outro tipo de laboratórios, de materiais e equipamentos”, acrescentou.
A cooperação, no entanto, “só se realiza quando existe capital financeiro suficiente”, afirmou Ferrão, sublinhando que o orçamento de funcionamento das universidades nos PALOP tem vindo a ser cortado “ano após ano”. Na direção oposta, lamentou o reitor, “as universidades já muito estabelecidas têm receio de enviar muitos dos seus docentes” para países em desenvolvimento, “apenas porque não têm o conforto suficiente”.
Ferrão defendeu que a AULP pode ser o palco para discutir como lidar com as “velocidades diferentes” a que funcionam as universidades de Portugal e Brasil, por um lado, e dos PALOP, por outro.
“Entre as vontades pessoais, as vontades dos nossos países, as vontades institucionais há sempre lapsos muito grandes que precisam ser preenchidos”, disse o reitor.
A AULP foi criada em 1986, mas “já não podemos continuar a calçar os mesmos sapatos que fizemos há 40 anos atrás, já não servem para todos”, ilustrou Jorge Ferrão.