A especial diplomacia olímpica - Plataforma Media

A especial diplomacia olímpica

Começaram no dia 9 de janeiro os diálogos entre as Coreias em Panmunjom, discutindo-se a possibilidade da participação de uma delegação norte-coreana nos Jogos Olímpicos de Inverno a decorrer em Pyeongchang. Depois deste diálogo, ambos os lados iniciaram também uma comunicação acerca de assuntos militares e sobre os detalhes da participação norte-coreana nos Jogos Olímpicos. Estas atividades diplomáticas à volta dos Jogos Olímpicos chamaram a atenção da comunidade internacional, como uma brisa calorosa que se espera que alivie um pouco a tensão entre as Coreias. As atitudes de ambas levaram a que os seus líderes marcassem pontos. Em primeiro lugar, Kim Jong-un, que demonstrou uma vontade de reconciliação, mesmo numa altura em que as Nações Unidas impuseram novas e mais severas sanções à Coreia do Norte. A sua voz chegou aos ouvidos da comunidade internacional, embora o próprio no seu discurso de ano novo ainda demonstrasse uma atitude severa em relação aos Estados Unidos. No entanto, mostrou que a chave para o avanço do diálogo entre as duas Coreias poderá ser a participação de uma delegação norte-coreana nos Jogos Olímpicos de Pyeongchang. Moon Jaein também foi capaz de fazer uso do espírito olímpico para persuadir os EUA a adiarem os exercícios militares conjuntos. Desta forma, o diálogo entre Norte e Sul torna-se uma realidade, dando ao outro lado uma oportunidade de participar e criando um ambiente harmonioso capaz de receber o apoio nacional. 

Ambas as Coreias aproveitaram esta oportunidade criada pelos Jogos Olímpicos para a abertura de um novo capítulo na história das relações externas. A Coreia do Norte para fazer com que a comunidade internacional compreenda que esta se fortalece militarmente através de armas nucleares como forma de defesa, por ver nos EUA uma ameaça. Esta também será uma oportunidade para trazer a banda Moranbong a um palco internacional, e dessa forma apresentar ao mundo a cultura norte-coreana e o  lado pacífico. O facto de a nação anfitriã destes Jogos ser a Coreia do Sul irá fazer com que o espírito olímpico de paz e amizade seja ainda mais visível. 

Também graças a esta diplomacia das olimpíadas, embora o presidente Donald Trump não tenha confirmado a sua presença, o próprio salientou a importância de um espírito olímpico, e demonstrou estar disposto a relacionar-se com Kim Jong-un. Os EUA irão também enviar o seu Vice-presidente, Mike Pence, e uma delegação americana para os Jogos Olímpicos de Pyeongchang. 

Moon Jaein também já enviou um convite ao Presidente Xi Jinping para estar presente na cerimónia de encerramento dos Jogos. 

No entanto, durante esta diplomacia olímpica, o Japão aproveitou a oportunidade para pressionar a Coreia do Sul. O Governo sul-coreano apresentou os resultados da investigação sobre as mulheres de conforto durante a ocupação japonesa. O relatório sobre o acordo assinado entre o muito criticado governo da antiga presidente Park Geunhye e o Japão tem várias falhas, havendo ainda muita informação que não é pública. Quando o governo sul-coreano anunciou os resultados do relatório, a ministra dos Negócios Estrangeiros, Kang Kyungwha, pediu desculpa à população coreana e reconheceu que o acordo não é capaz de resolver este histórico e injusto acontecimento. Durante um discurso, o presidente Moon Jaein referiu que estava de coração pesado e que a questão das mulheres de conforto não poderá ser resolvida “apenas com acordos”. 

Embora, para o governo sul-coreano, o facto de não ter existido contacto e diálogo com as vítimas em causa durante a criação do acordo signifique que não foi encontrada uma solução, este não é um acordo entre governos. Apesar de a Coreia do Sul não ter intenções de o mudar ou abolir, o Japão tomou uma posição muito rígida. O Ministro dos Negócios Estrangeiros japonês, Taro Kono, alertou que alguma mudança no acordo poderia pôr em causa a presença do Primeiro-ministro, Shinzo Abe, nos Jogos. Pouco tempo depois, foi anunciado que Abe não iria de facto estar presente, sendo a causa apresentada estar demasiado ocupado com várias reuniões. Também na semana passada Abe admitiu à Coreia do Sul que o Japão recusou pedir desculpa às mulheres de conforto, dizendo ainda que não aceitaria novos acordos sobre este assunto com o país. Parece ter desvanecido o plano japonês de criar pressão sobre a Coreia do Sul durante os Jogos. 

DAVID Chan  19.01.2018  

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