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Ordem mundial mais justa – o objetivo da diplomacia

Apresentando um relatório ao 19º Congresso Nacional do Partido Comunista Chinês na quarta-feira o Secretário Geral, Xi Jinping, disse que a diplomacia de uma grande potência com características chinesas tem como objetivo ajudar a desenvolver um novo tipo de relações internacionais e construir uma comunidade com um futuro comum para a humanidade. O presidente salientou ainda que a China nunca irá procurar desenvolver-se à custa de outros países nem irá comprometer os seus interesses legítimos. Isto significa uma China a caminho do rejuvenescimento nacional, que será uma ajuda para a comunidade internacional.

Tal como as suas proezas económicas, a sua política externa cada vez mais ambiciosa, mas também mutuamente benéfica, é por vezes mal compreendida. Foi várias vezes questionada a posição do país na arena global e o equilíbrio do seu papel como poder emergente e maior país em desenvolvimento no mundo.

A resposta encontra-se na política de grande potência com características chinesas, que está a reformular a maneira como a China lida com assuntos externos e participa na governação global.

Mas esta nova diplomacia chinesa não é um conceito novo. É baseada na cultura chinesa tradicional e no papel da China como uma economia em desenvolvimento e sociedade socialista. De facto, desde a fundação da República Popular da China que o desenvolvimento do país é baseado na diplomacia pacífica e inclusiva, que tem evoluído e continuado a par com a mudança dos tempos.

A política externa chinesa, principalmente impulsionada pelo desenvolvimento interno, irá ajudar a criar um ambiente externo favorável necessário para construir uma sociedade moderadamente próspera e defender os seus interesses legítimos internacionalmente. Apenas ao consolidar poder a nível nacional poderá a China contribuir mais para a comunidade de futuro comum.

Pequim também aspira alargar a sua participação em assuntos globais e regionais, acartando mais responsabilidade como guardiã da ordem internacional, visto a China ser neste momento o maior parceiro de comércio de cerca de 128 países, e sendo um dos mais populares destinos de investimento. Também como mercado em rápido crescimento para exportação e principal importador de energia, a China contribui para mais de 30 por cento do crescimento global desde a crise financeira de 2008.

Outra característica da diplomacia de grande potência com características chinesas é o novo tipo de relação entre grandes potências, especialmente entre a China e os Estados Unidos com os princípios de não-confronto e cooperação mutuamente benéfica no seu cerne. Isto é importante pois uma relação estável e saudável entre a China e os Estados Unidos pode muito bem ser a base para a paz mundial. 

De um beneficiário para um contribuidor líder na globalização, a China está determinada a ultrapassar o seu sucesso na redução da pobreza, entregando propostas construtivas e bens públicos tangíveis para reavivar a economia mundial.

A Iniciativa Faixa e Rota, o Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas e o Fundo da Rota da Seda, propostos pela China, oferecem não só mais largos canais financeiros para economias emergentes, mas também dinamismo institucional para a governação da economia global. Apresentando uma gestão simples, verde e limpa, instituições financeiras multilaterais apoiadas pela China tal como o Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas são mais do que um suplemento para o sistema de financiamento internacional, e irão ajudar a reformar o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial.

Ajudando a construir uma comunidade com um destino comum para a humanidade e ao propor a Iniciativa Faixa e Rota, a China torna claro que a sua diplomacia de grande potência tem como objetivo não só oferecer assistência direcionada a países com necessidades como também otimizar a governação global pós-guerra. É esperado que esta nova forma de relação internacional se venha a desenvolver para lá de ideologias e interesses a curto prazo, evoluindo numa direção mais inclusiva. 

Wang Yiwei*

* Diretor do Jean Monnet e Professor da Faculdade de Estudos Internacionais da Universidade Renmin da China

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