Com o recente anúncio de simplificação das medidas de mobilidade transfronteiriça, facilitou-se a mobilidade dos residentes de Macau (em especial os de nacionalidade não chinesa) para o interior da China.
Este passo era fundamental para a integração desejada, para todos que são considerados residentes de Macau, evitando os tempos de espera desnecessários nos postos fronteiriços de Hengqin, Qinqmao e da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau.
Pode ser convidativo para mais residentes atravessarem a fronteira, seja no âmbito turístico ou de lazer, seja a nível comercial, cultural, ou de fixação de negócios e até de compra de imóveis. Falando em imóveis, Hengqin pode beneficiar o acesso à habitação dos mais jovens, criando melhores condições para este âmbito, sendo possivelmente uma solução para o problema de habitação que continua em Macau ao longo dos anos. No entanto, há critérios que implicam vontade política para uma ainda maior integração, em especial a nível legal, benefícios de saúde, língua e acesso livre à Internet.
Estes pontos podem parecer triviais, mas são fulcrais para atrair os jovens de Macau para Hengqin. O bem-estar, em especial o acesso à habitação, trabalho garantido e benefícios adequados na saúde, são critérios fundamentais para constituir família, criando vantagens para o crescimento da natalidade.
Hengqin já é uma porta aberta para negócios e compra de imóveis, e de plataforma sino-lusófona e espanhola naquela zona, com um bairro de Macau já estabelecido. A facilidade de uma alternativa linguística pode também ajudar na comunicação com os estrangeiros que estabelecem negócios, e também de visita (enquanto turistas) em Hengqin.
Não se pode esperar que os estrangeiros saibam a língua local dum dia para o outro, é necessário haver medidas de assistência na tradução, desde painéis indicativos, nos transportes, no hospital (para cuidados de saúde) e, claro, nos negócios.
Uma coisa é certa: houve vontade política de uma maior integração e de facilidade na mobilidade transfronteiriça. Agora é saber aproveitar as oportunidades, não só do lado da Zona Aprofundada, como também de investidores e de jovens para alcançar uma maior integração desejada.
Mas não haja ilusões: há quem prefere também acordar e manter a vida em Macau, com a vista do Farol da Guia e da Igreja da Penha.