O Governo divulgou esta semana o 3.º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM (2026-2030), fixando como uma das principais metas elevar para cerca de 60% do PIB o valor acrescentado das atividades não relacionadas com o Jogo até ao final da década.
Na apresentação do documento, Sam Hou Fai colocou a execução no centro da estratégia para os próximos cinco anos. “O sucesso consiste numa parte de planeamento e nove partes de execução. O Governo da RAEM irá unir e liderar todos os sectores da sociedade, e, com ações concretas, levar a cabo a execução do Plano, passo a passo e ano após ano”.
O Chefe do Executivo definiu o documento como “o roteiro e o documento orientador para a RAEM avançar numa nova fase de desenvolvimento de alta qualidade”, estruturado em torno de quatro grandes tarefas.
A primeira passa pela diversificação da economia, através dos quatro grandes projetos e do Fundo de Orientação Governamental: “O nosso objetivo é alcançar um valor acrescentado da indústria não relacionada com o Jogo de cerca de 60% do PIB local até 2030”, afirmou Sam Hou Fai. O Governo pretende aumentar as políticas de apoio e a injeção de capitais nas indústrias “1+4”, procurando simultaneamente reforçar o papel do mercado e das empresas.
Hengqin como segundo eixo
A integração com Hengqin constitui outra das prioridades. O Executivo pretende aprofundar a articulação de regras e mecanismos, reforçar as infraestruturas e promover projetos industriais conjuntos, tendo a tecnologia e a educação como motores.
“Iremos promover a sinergia das indústrias de Macau e Hengqin, fomentar uma integração profunda nas áreas sociais como saúde e cuidados aos idosos, e impulsionar a Zona de Cooperação para promover o desenvolvimento da diversificação adequada da economia de Macau e alcançar mais e novos resultados”, disse o Chefe do Executivo.
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A terceira tarefa concentra-se na renovação urbana. O Governo pretende rever o respectivo regime jurídico, coordenar financiamento e recursos e criar um sistema sustentável para acelerar as intervenções.Sam Hou Fai garantiu que o Executivo irá, “com mentalidade inovadora e ações ousadas, acelerar o avanço da renovação urbana”. Entre as prioridades estão a revitalização da zona das Ruínas de São Paulo e a renovação de edifícios antigos, incluindo no Bairro Iao Hon.
Plataforma mais ampla
O quarto eixo passa pelo aprofundamento da integração no desenvolvimento nacional e pela abertura de Macau ao exterior. O Governo pretende reforçar a participação na Grande Baía, intensificar a cooperação com Hong Kong e ampliar a função de Macau na ligação da China aos mercados internacionais.
“Iremos alargar as funções e o conteúdo da plataforma sino-lusófona/hispânica, participar e auxiliar ativamente a construção conjunta da iniciativa nacional ‘Uma Faixa, Uma Rota’, e atuar como uma ponte importante para uma abertura do país ao exterior de nível elevado”, afirmou Sam Hou Fai.
O documento integra 10 títulos, 36 capítulos e 68 quadros, definindo 35 indicadores principais de desenvolvimento socioeconómico e oito grandes objetivos para 2030.A elaboração foi antecedida por 40 sessões de pesquisa preliminar e 36 estudos temáticos. Durante os 40 dias de consulta pública foram recolhidos 1.716 pareceres, contendo 8.230 opiniões, um volume 2,6 vezes superior ao registado no 2.º Plano Quinquenal.