Em meio aos ataques israelitas que continuam a ocorrer, 94% dos 2,1 milhões de habitantes da Faixa de Gaza necessitam de abrigo e de assistência básica para as suas habitações, informaram esta quinta-feira agências humanitárias das Nações Unidas.
O Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA) indicou que mais de quatro em cada cinco famílias enfrentam condições de vida críticas ou catastróficas nos locais onde estão atualmente abrigadas, que não dispõem de combustível, energia e bens domésticos essenciais. Esta situação afeta a capacidade das pessoas para dormir, cozinhar, lavar-se, armazenar alimentos e água, dispor de iluminação adequada e enfrentar o calor e o frio.
Quase duas em cada três famílias vivem em tendas ou abrigos improvisados que se deterioram rapidamente com condições meteorológicas adversas, uma vez que foram concebidos apenas para utilização temporária, afirmou o organismo.
“No inverno passado, mais de 70% das famílias foram afetadas por inundações”, indicou o OCHA. “Perante a aproximação da estação fria e chuvosa, os parceiros humanitários estão a trabalhar para garantir abrigo adequado às famílias. No entanto, as restrições à entrada de materiais e equipamentos, juntamente com a falta de financiamento, fizeram com que a assistência permanecesse muito abaixo das necessidades.”
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Os parceiros responsáveis pelo abrigo estimam que sejam necessários 562 milhões de dólares norte-americanos para a resposta de emergência. Deste montante, foram solicitados 165 milhões de dólares para responder aos casos mais urgentes, mas pouco mais de um quarto desse financiamento foi assegurado.
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) afirmou na segunda-feira que, juntamente com os seus parceiros, alargou desde maio as operações de controlo de pragas a mais de 3.000 locais de deslocados, mercados e hospitais em Gaza. O acesso contínuo a rodenticidas continua a ser essencial. É igualmente urgente permitir a entrada em Gaza de maquinaria pesada, lubrificantes e equipamentos essenciais para facilitar a remoção de lixo.
O OCHA afirmou que continua a receber relatos de civis em Gaza mortos, feridos ou de alguma forma afetados por ataques aéreos, bombardeamentos e tiros. Na quarta-feira, uma rapariga de 13 anos terá estado entre as vítimas mortais de ataques aéreos.
Os corpos de 50 pessoas, incluindo 19 crianças, mortas há mais de dois anos, foram sepultados esta quinta-feira depois de terem sido recuperados dos escombros na Cidade de Gaza, informou o organismo.
“Os esforços para remover os escombros e recuperar corpos em Gaza continuam limitados pelas restrições à entrada de maquinaria pesada, peças sobressalentes, lubrificantes e outros bens essenciais, bem como pelas restrições ao acesso a vastas áreas da Faixa”, afirmou o OCHA.
As Nações Unidas continuam a apelar à proteção dos civis e das infraestruturas civis. Os civis nunca devem ser alvo de ataques nem ser utilizados para fins militares, afirmou a organização.