Macau entrará numa “sociedade superenvelhecida” em 2029. Numa era em que os cuidados aos idosos já não se limite à mera sobrevivência, mas exige qualidade de vida. O novo Plano Decenal para Idosos responde precisamente a esta necessidade, valorizando a população sénior e concretizando a visão inclusiva de “sentido de pertença e de utilidade na terceira idade”.
No âmbito da reabilitação, o futuro exige “cooperação médico-social, tecnologia e apoio comunitário”. Contudo, as políticas não se devem restringir aos próprios idosos e pessoas com deficiência, mas entender-se aos cuidadores familiares, que enfrentam uma enorme pressão psicológica no seu trabalho diário de cuidados. É vital alargar a rede de apoio psicológico a este grupo e oferecer serviços de descanso (respite care) na comunidade, aliviando o seu fardo físico e mental, será possível garantir um sistema de cuidados saudável, proporcionando uma melhor atenção aos dependentes.
Com a geração de 70 a envelhecer, a “economia de prata” ganha força. O Governo deve promover a gerontecnologia com “características de Macau”. Nos bairros antigos com Tong Lau (prédios sem elevador), deve-se incentivar equipamentos de mobilidade para escadas estreitas e criar apoios para adaptar espaços comuns em edifícios privados.
Em articulação com a estratégia da Grande Baía, urge promover a “padronização dos serviços de cuidados domiciliários em Hengqin e Macau”, com segurança social transfronteiriça e o acesso a serviços médicos, ampliando o leque de opções e a rede de apoio para os idosos.
O novo “Plano Decenal de Reabilitação” muda da “otimização passiva” para “legislação ativa e tecnologia”, com medidas vinculativas para 2026-2027. Na legislação de acessibilidades, a uniformidade é crucial. Os espaços sem barreiras devem servir cadeirantes e prevenir quedas de idosos, com sinalética clara, criando um verdadeiro sistema pedonal seguro e amigável.
A próxima década é decisiva para Macau face ao envelhecimento. Espera-se que haja consenso social para transformar esta visão em ação, assegurando que todos os idosos e pessoas com deficiência em Macau possam desfrutar de uma vida inclusiva, digna, conveniente e cheia de vitalidade.