O envelhecimento populacional em Macau agravou-se. Com famílias cada vez mais pequenas, a pressão sobre os cuidadores preocupa a sociedade. Estudos mostram que 36% dos cuidadores dedica mais de 7 horas diárias a esse serviço, o que equivale a um trabalho a tempo inteiro.
Além disso, mais de metade divide-se entre o emprego e a família. Face a esta enorme pressão física e mental, sugere-se otimizar os apoios atuais em três eixos: alargar a abrangência das políticas, classificar os recursos com precisão e reforçar o encaminhamento proativo.
O atual “Regulamento de Atribuição do Subsídio para Cuidadores” abrange acamados crónicos e pessoas com deficiência intelectual ou autismo, deficiência motora de grau severo ou profundo. Apesar do aumento do subsídio para 2.400 patacas mensais, os familiares de doentes com demência, Parkinson ou deficiência moderada também sofrem grande pressão, justificando-se a sua inclusão gradual. O Governo deve aperfeiçoar a “definição de cuidador” para servir de base científica a futuras políticas.
Ao nível de serviços, o Governo da RAEM tem promovido apoio emocional, serviços de descanso e formação. Face a diversas necessidades, propõe-se a criação de um “Sistema de Apoio Classificado para Cuidadores”, que avalie o tempo despendido, a dificuldade, o estado do utente e a pressão sentida. Isto permitirá definir níveis claros de apoio, assegurando uma ajuda precisa e o uso eficaz dos recursos públicos.
Com a abertura do “Centro de Apoio aos Cuidadores” este ano, espera-se uma maior “cooperação médico-social”. Na alta hospitalar ou no diagnóstico de incapacidade, o sistema de saúde deve fazer um encaminhamento imediato para garantir orientação profissional na transição.
Deve-se também expandir os serviços de descanso, acolhimento de emergência e apoio domiciliário. Para detetar famílias de alto risco, Macau deve inspirar-se nas regiões vizinhas e partilhar informações entre instituições comunitárias, hospitais e serviços públicos, reforçando assim a rede de proteção.