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Habitação económica pesa no privado

A entrada de 5.254 frações de habitação económica na Zona A terá um impacto limitado no imediato, mas poderá pesar no segmento das casas maiores. “Consequentemente, o impacto no atual mercado residencial privado é limitado”, afirma Chris Wong, acrescentando que “os preços das frações de maior dimensão poderão voltar a enfrentar pressão descendente nos próximos anos”

Fernando M. Ferreira

O Governo publicou esta semana, em Boletim Oficial, o despacho que fixa os preços das frações de habitação económica dos lotes A1 a A4 e A12 da Zona A dos Novos Aterros, colocados a concurso em 2021.

Os valores variam consoante a localização, orientação, área e tipologia. As fracções T1 custam entre 1,0086 milhões e 1,2337 milhões de patacas, as T2 entre 1,4327 milhões e 1,9333 milhões, enquanto os preços das T3 oscilam entre 1,74 milhões e 2,0733 milhões.

Segundo Chris Wong, presidente da Associação de Agentes Imobiliários de Macau, “cerca de 80% da oferta corresponde a frações T2”, com aproximadamente 700 pés quadrados e preços entre 1,4 milhões e 1,6 milhões de patacas.

“Em comparação com frações privadas de dimensão semelhante e com cerca de 30 anos, a habitação económica continua a ser mais barata em mais de um milhão de patacas. Para compradores com necessidades reais de habitação, os preços das frações de habitação económica da Zona A continuam a ser atrativos”, diz ao PLATAFORMA.

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No entanto, “estas frações estão sujeitas a um período de indisponibilidade de seis anos. Terminado esse prazo, apenas podem ser vendidas ao Governo pelo preço original de aquisição”.

“Apesar de serem um milhão de patacas mais baratas do que uma fracção privada com 30 anos, o facto de não poderem valorizar-se terá, até certo ponto, impacto na sua atratividade”, explica Chris Wong.

O dirigente considera justificada a limitação à revenda: “Fixar o preço de revenda da habitação económica retira-lhe a natureza de investimento, garantindo que aqueles que compram são realmente pessoas com necessidades efetivas de habitação. Acredito que esta é uma boa política”.

Impacto limitado no imediato

Sobre o eventual efeito das novas frações no mercado privado, Chris Wong rejeita a ideia de que serão retiradas mais de cinco mil transações à procura atual. “Na realidade, as candidaturas começaram a formar fila em 2021, o que significa que a capacidade de compra destes compradores ficou congelada há cinco anos. Consequentemente, o impacto no atual mercado residencial privado é limitado”, afirma.

Wong alerta, porém, para os efeitos do período de indisponibilidade sobre a procura futura de imóveis maiores. “Estas unidades têm um período de indisponibilidade de seis anos, o que impede estes compradores de melhorarem a sua habitação, por exemplo, passando de uma fração T2 para uma T3, durante os próximos seis anos. Como resultado, os preços das frações de maior dimensão poderão voltar a enfrentar pressão descendente nos próximos anos”, diz.

No entanto, explica que, “esta é uma boa política. Satisfaz as necessidades habitacionais das famílias de rendimentos baixos e médios. Podemos dizer que Macau não enfrentará escassez de habitação nas próximas duas décadas”.

O dirigente entende, contudo, que o mercado privado não deve ser ignorado. “Desde 2019, o mercado residencial privado de Macau tem registado uma queda contínua, superior a 40% até meados de 2026. Surgiu um grande número de casos de património líquido negativo, o que não só enfraquece a confiança no consumo e no investimento, como também abranda a recuperação económica”.

“É necessário que o Governo apoie o mercado residencial privado e estabilize os preços, permitindo que a população de Macau recupere a confiança no consumo e no investimento”, conclui.

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