Em 2025, o investimento da Reserva Financeira registou um rendimento histórico de 42,92 mil milhões de patacas. Isto não só injeta confiança nos cofres da RAEM, mas também suscita grande atenção da sociedade sobre a gestão e o uso dos fundos públicos.
Atualmente, a divulgação dos rendimentos pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM) é simples, publicando apenas os números globais, sem detalhar o portefólio ou o desempenho. Em contraste, o Fundo Cambial de Hong Kong detalha os rendimentos e as proporções de obrigações, ações e investimentos alternativos, permitindo à sociedade compreender a gestão de risco e a estrutura de retorno.
Sugere-se que as autoridades, sem afetar o sigilo comercial, divulguem a classificação dos ativos e a distribuição de riscos. Além disso, a AMCM deve otimizar o mecanismo de divulgação, passando de um simples anúncio de saldos para uma explicação de desempenho mais sistemática e transparente.
Quanto ao uso dos rendimentos, o Governo anunciou a alocação de 11 mil milhões para criar o “Fundo de Orientação Governamental” visando a diversificação industrial. Isto mostra que já existe um mecanismo para usar os rendimentos no apoio a políticas importantes. Além da capitalização, deve pensar-se em como aplicar os retornos no bem-estar da população.
Face aos retornos positivos superiores a 100 mil milhões de patacas nos últimos três anos, apresento três sugestões:
- Estabelecer um mecanismo de alocação regular para transferir parte dos rendimentos excedentários para a segurança social;
- Estudar a criação de um fundo de solidariedade específico para reforçar o apoio às famílias de base e grupos vulneráveis que enfrentam grande pressão financeira;
- Implementar um combate direcionado à pobreza, transformando os “dividendos financeiros” em “benefícios sociais” que elevem a felicidade dos cidadãos.
Com um pensamento mais prospetivo e sistemático, o Governo da RAEM deve aumentar a transparência e melhorar a distribuição, construindo um sistema de reservas financeiras resiliente e humano. A otimização contínua das políticas garantirá a solidez financeira a longo prazo e permitirá aos residentes sentir os dividendos do desenvolvimento económico, construindo uma sociedade harmoniosa.