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A coerção contínua não levará a lado nenhum

Editorial do China Daily

A escalada de medidas restritivas por parte da administração norte-americana após as conversações comerciais em Madrid colocou, de forma desnecessária, uma grande pressão sobre as relações económicas bilaterais. Foi a campanha incessante de pressão dos Estados Unidos nas últimas semanas — levada a cabo ignorando as preocupações e a boa vontade da parte chinesa — que levou diretamente à decisão da China de anunciar medidas de controlo de exportações sobre terras raras e produtos relacionados.

Embora plenamente consciente das causas que motivaram as ações legítimas da China, a administração norte-americana ameaçou ainda impor tarifas de 100 por cento sobre produtos chineses e controlos de exportação sobre ‘software’ e componentes industriais críticos. Ao fazê-lo, os Estados Unidos fingem, de forma absurda, ser a “vítima”. Mas o mundo vê claramente qual das partes é responsável pela crescente tensão. Além disso, as ameaças norte-americanas evidenciam a insuficiência do seu arsenal político para lidar com problemas que, de facto, são da sua própria autoria, parecendo mais uma reação instintiva do que uma resposta ponderada e sis- temática. O desempenho do mercado de capitais dos EUA na semana passada demonstrou as dúvidas quanto à eficácia destas ameaças precipitadas.

Desde 2018, as falhas inerentes à aborda- gem de “soma zero” dos Estados Unidos ao comércio tornaram-se cada vez mais evidentes. Os factos provaram que as tarifas impostas sobre produtos chineses são, na realidade, impostos indiretos sobre os importadores e consumidores norte-americanos.

Presos à sua habitual prática de duplo critério, os EUA parecem agir sob a ilusão de que ameaças de tarifas extremas podem forçar concessões da China — uma avaliação profundamente errada. Se a intimidação anunciada se concretizar no início do próximo mês, a China responderá, muito provavelmente, com contramedidas recíprocas, repetindo o ciclo que já se verificou no início deste ano. A China irá, inevitavelmente, aproveitar esta nova vaga de coerção económica e de intimidação comercial dos Estados Unidos para reforçar ainda mais a sua resiliência no comércio externo. A médio e longo prazo, a China não terá outra opção senão reduzir a sua dependência de ‘software’, componentes industriais e tecnologia norte-americana, caso Washington continue com a atual política. Em outras palavras, as tentativas de coerção dos Estados Unidos apenas irão acelerar os esforços chineses para fortalecer as suas cadeias industriais e de abastecimento.

A trajetória geral das relações económicas e comerciais sino-americanas demonstra tratar-se de um processo de “negociar enquanto se luta”. E o quadro desse processo tornou-se claro: a China negociará mantendo a sua posição de princípio e não aceitará a prática habitual dos EUA de recorrer a medidas unilaterais e coercivas para forçar con- cessões antes de iniciar as conversações. A capacidade de fornecimento da China em determinados produtos demonstrou ser insubstituível. Dada a atual situação económica dos Estados Unidos — com salários estagnados e preços em alta —, o descontentamento público resultante da inflação alimentada pelas políticas económicas e comerciais da administração norte-americana terá impacto direto na política interna, especialmente com as eleições intercalares de 2026 no horizonte.

A China, com as suas fortes capacidades de governação, políticas pragmáticas e adaptáveis, e uma economia resiliente, continuará a resistir à pressão dos Estados Unidos. A administração norte- -americana deve reconhecer a inutilidade das suas práticas de intimidação e compreender que o diálogo e o respeito mútuo são o melhor caminho para servir os próprios interesses dos EUA. Deve também valorizar o consenso alcançado entre os dois chefes de Estado de que uma parceria económica sustentável está nos interesses fundamentais de ambos os países.

A posição da China não é de mera resistência. O país privilegia a comunicação e a cooperação em detrimento da hostilidade e da confrontação. No entanto, os Estados Unidos parecem incapazes de reconhecer os benefícios de abandonar a sua mentalidade de soma zero.

A China mantém-se aberta a trabalhar com os Estados Unidos e a participar num diálogo e numa consulta construtivos, caso a administração norte-americana corrija o rumo. As duas maiores economias do mundo devem lidar com as suas divergências de forma responsável e contribuir para estabilizar a economia global.

EDITORIAL ORIGINALMENTE PUBLICADO NO CHINA DAILY

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