O Instituto de Media da África Austral e o Sindicato Nacional de Jornalistas moçambicanos (SNJ) condenaram hoje (18) a violência contra profissionais na tentativa de impedir uma marcha do partido Anamola em Quelimane, província da Zambézia (centro).
Em comunicado conjunto divulgado hoje, o SNJ e o instituto MISA Moçambique condenam, “nos termos mais enérgicos”, qualquer atuação que coloque em risco a integridade física e a vida de jornalistas no exercício legítimo e legal da sua profissão.
Em causa estão atos de violência pela Polícia da República de Moçambique (PRM), na tentativa de impedir uma marcha alusiva às celebrações, no sábado, do primeiro aniversário da Aliança Nacional por um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola), liderada pelo político Venâncio Mondlane, da qual resultaram vários feridos na cidade de Quelimane.
O MISA Moçambique e o SNJ recordam que o jornalismo constitui uma atividade de reconhecido interesse público, e que os profissionais não podem, «sob nenhuma circunstância», ser tratados como alvos ou obstáculos à ação das Forças de Defesa e Segurança, sobretudo quando se encontram devidamente identificados e a desempenhar as suas funções de informar a população.
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“As nossas organizações manifestam profunda solidariedade para com todos os jornalistas afetados por este incidente, em particular com os três profissionais que sofreram ferimentos”, refere o documento.
As organizações que zelam pela proteção dos jornalistas reafirmam ainda total disponibilidade para prestar o acompanhamento necessário, incluindo apoio institucional junto das entidades competentes, visando salvaguardar os direitos e o bem-estar dos jornalistas em causa.
A reação das duas instituições, adiantam, surge uma reunião com o comandante provincial da PRM, visando expor, de forma detalhada, os acontecimentos verificados, manifestar a sua profunda preocupação com a segurança dos profissionais de comunicação social e solicitar maior proteção dos jornalistas durante a cobertura de manifestações, comícios e outras situações de risco.
Venâncio Mondlane, em resposta a declarações do porta-voz da PRM na Zambézia, rejeitou hoje que o partido tenha sido previamente informado da impossibilidade de realizar a marcha e negou a versão policial sobre desacatos por parte dos seus apoiantes.
A polícia sustentou hoje que advertiu os organizadores para a inexistência de condições de segurança devido à realização simultânea de um festival local e alegou que a dispersão ocorreu após atos de desacato às autoridades e o apedrejamento de uma viatura policial.
A PRM negou qualquer utilização de munições reais, sustentando que se limitou ao lançamento de gás lacrimogéneo durante cerca de cinco minutos.
A Plataforma Decide, organização não-governamental moçambicana que monitorizou os acontecimentos de sábado em Quelimane, contabilizou preliminarmente pelo menos nove pessoas afetadas durante a intervenção policial, incluindo dois participantes feridos, três jornalistas e duas crianças atingidas por gás lacrimogéneo, defendendo uma investigação independente ao caso.
Moçambique registou 15 casos de violação da atividade jornalística em 2025, metade face a 2024, segundo um relatório do Misa, citado em 4 de maio pela Lusa, que aponta o Estado como um dos principais violadores da liberdade de imprensa no país.