Bruxelas, Beijing e Matérias-Primas Críticas

por Gonçalo Lopes
Raquel Vaz Pinto*Raquel Vaz Pinto

Começo esta Opinião com um rescaldo da visita de Xi Jinping à Rússia.

Do ponto de vista da Guerra russa na Ucrânia, o que podemos retirar desta visita? Na verdade, muita pompa e circunstância na forma, mas pouca substância a nível de conteúdo.

A ver vamos se nas próximas semanas um conjunto de cimeiras, visitas e outras reuniões nos ajudam a descortinar se é possível, de facto, alcançarmos uma Paz que seja minimamente justa, sustentável e duradoura. À cabeça, a visita de Emmanuel Macron e Ursula von der Leyen à China para a semana.

E, justamente no âmbito das relações entre Bruxelas e Beijing, quero destacar um documento da Comissão Europeia, que passou despercebido por entre tantos acontecimentos internacionais. No dia 16 deste mês Bruxelas avançou com um plano de ataque para as chamadas matérias-primas críticas.

Qual é a sua importância? Nas palavras de von der Leyen: «As matérias-primas são vitais para o fabrico de tecnologias fundamentais para a nossa dupla transição [digital e verde] – como a produção de energia eólica, o armazenamento de hidrogénio ou as baterias. Estamos a reforçar a nossa cooperação com parceiros comerciais fiáveis a nível mundial, de modo a reduzir as atuais dependências da UE relativamente a apenas um ou um pequeno grupo de países. É do nosso interesse mútuo intensificar a produção de forma sustentável e, ao mesmo tempo, assegurar o mais elevado nível de diversificação das cadeias de abastecimento para as empresas europeias.»

É, sem dúvida, um dos documentos mais importantes desta Comissão e, tendo em conta, a procura por uma maior «autonomia estratégica», será vital a União Europeia conseguir reduzir a dependência da China, que neste sector é absolutamente avassaladora.
É daquelas dimensões de poder que marcarão o sucesso da «ambição geopolítica» da União Europeia e nós, caros ouvintes, vamos ter de nos habituar a nomes como lítio, cobalto, níquel, magnésio, grafite, ítrio ou disprósio, entre tantos, tantos outros.

São mesmo outros tempos.

*In TSF

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